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Alunorte: sem expansão

(Artigo publicado no Jornal Pessoal 309, de outubro de 2003)

As obras de ampliação da Alunorte, no valor de 582 milhões de dólares (aproximadamente 1,7 bilhão de reais), estão temporariamente suspensas. A empresa, que pretendia elevar sua capacidade de produção – dos atuais 2,4 milhões de toneladas para 4,2 milhões de toneladas anuais – já avisou aos seus empreiteiros e fornecedores que o início das obras, previsto para este mês, foi sobrestado.

A situação assim se manterá até que a Sectam (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado) decida sobre a liberação ou não do projeto de extração de bauxita de Paragominas.

Até agora a secretaria não se manifestou sobre o licenciamento ambiental requerido pela Mineração Vera Cruz, subsidiária integral da Companhia Vale do Rio Doce, que é também a principal acionista da Alunorte. A exploração dos grandes depósitos de bauxita de Paragominas, congelada durante vários anos, foi retomada exatamente para suprir a Alunorte de matéria prima para a produção de alumina, que, por sua vez, é insumo para a produção de alumínio metálico pela Albrás, a empresa-prima da Alunorte, também controlada pela CVRD, ambas instaladas no distrito industrial de Barcarena.

Como a produção de bauxita da Mineração Rio do Norte, tradicional supridora da Alunorte, já está totalmente comprometida com os seus clientes, a duplicação da planta de alumina depende da ativação da mina de Paragominas, que se localiza a 230 quilômetros da fábrica de Barcarena.

Sem essa nova oferta de minério, a Alunorte terá que permanecer na escala atual, que já a colocou entre as cinco maiores indústrias do mundo. Subindo para 4,2 milhões de toneladas,  prevista inicialmente para 2006, se tornará a número um do mercado de alumina. A MRN também é a líder entre as mineradoras de bauxita.

As expansões produtivas do polo de alumínio do Pará têm sido contínuas de de grande porte. No início do ano a Alunorte já pulara de 1,6 milhão para 2,4 milhões de toneladas, mais do que dobrando sua capacidade nominal de produção (que, no projeto, era de 1,1 milhão de toneladas).

Já a MRN, embora dificilmente consiga chegar à meta estabelecida para este ano, de 16,3 milhões de toneladas, por problemas operacionais, deverá passar de 15 milhões de toneladas (um salto considerável em relação à escala de 2002, de 11,6 milhões de toneladas).

A Alcoa, sócia da CVRD na Rio do Norte, que fica em Oriximiná, deverá chegar nos próximos dois anos a uma grande jazida de bauxita em Juruti. Obviamente, vai colocar ainda mais minério no mercado internacional, além de se tornar autossuficiente em bauxita no Brasil.

Assim, ao contrário do que profetizavam os futurólogos do século passado, a “onda” dos velhos materiais não se exauriu. Muito pelo contrário. O que houve foi um deslocamento geográfico dos centros produtivos em função de cálculo econômico, refeito para atender aos custos da energia. Com uma evidente depressão forçada dos preços que o acompanhou, naturalmente.

Essa é uma questão relevante e que deve ser tratada quando do exame dos planos de expansão das indústrias de bauxita, alumina e alumínio. Tal reflexão deve servir de fundamento às decisões governamentais. Outra coisa, porém, é decidir sem decidir.

Ou decidir através de silencioso embargo de gaveta, como instrumento de negociação, barganha ou chantagem. Como parece ser o caso desse affaire combinado Mineração Vera Cruz-Alunorte.

Apesar dessas informações, ainda não confirmadas oficialmente, continuava previsto para o dia 18 o início da implantação da mina de bauxita em Paragominas, como se já houvesse a liberação ambiental, ou ela fosse apenas uma questão formal.

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