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Decisão fechada

Os controladores da Vale anteciparam a escolha do novo presidente da mineradora, Fábio Schvartsman, para “estancar um processo de desgaste para a mineradora, que ameaçava tomar proporções maiores”. Segundo uma fonte ouvida pelo jornal Valor Econômico, na edição de hoje, o atual presidente, Murilo Ferreira, “vinha externando insatisfação com sua substituição em conversas com investidores”.

O nome do até agora principal executivo da Klabin, uma das maiores produtoras de papel e celulose do país, foi sugerido pela empresa de caça a talentos Spencer Stuart, contratada há menos de 20 dias para conduzir a seleção.

A sugestão foi submetida a um comitê formado por Gueitiro Genso, presidente da Previ; Fernando Buzzo, presidente da Bradespar; Eliane Lustosa, diretora de mercado de capitais do BNDES, e Oscar Camargo, da japonesa Mitsui. O comitê analisou e entrevistou Schvartsman e outros cinco finalistas. A decisão, porém, ficou com banqueiros: Paulo Caffarelli, presidente do Banco do Brasil, e Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, que deram a palavra final.

Segundo Valor, pesaram a favor do escolhido, entre outras coisas, “seu talento para lidar com pessoas, capacidade de aglutinar a equipe e delegar funções e seu desempenho à frente da Klabin e também como diretor financeiro da Ultrapar, empresa que ajudou a conduzir para o modelo de corporation. Por quatro vezes, foi eleito ‘Executivo de Valor1 do setor de papel e celulose”.

Ele se enquadra na estratégia que está sendo posta em prática na Vale. Ela começou pelo anúncio da reestruturação societária para transformar a companhia numa “corporation”, de capital pulverizado. Com o novo presidente, os acionistas “querem abrir um novo capítulo para a empresa, buscando afastar a velha imagem de uma empresa privatizada pela metade e que permaneceu sob interferência governamental por ser controlada por fundos de pensão e BNDES”.

Ao mesmo tempo, de acordo com uma alta fonte também entrevistada pelo jornal paulista, “os sócios querem acabar com a era de CEOs superpoderosos na mineradora, que existiu sob Roger Agnelli e também com Ferreira. Ao menos enquanto existir bloco de controle, previsto para perdurar até 2020 segundo a reestruturação proposta”.

Ainda assim, houve um componente político na definição. O presidente do Banco do Brasil submeteu o nome de Schvartsman, depois de escolhido, ao presidente Michel Temer, que o aprovou. O senador Aécio Neves também foi informado e buscou a opinião do economista e investidor Armínio Fraga. Fraga confirmou ao Valor ter sido consultado previamente, sem dizer por quem.

Como Schvartsman tem 63 anos e na Vale existe uma espécie de acordo tácito entre os acionistas de que os diretores-executivos se aposentem quando completam 66 anos, ele seria um presidente de transição. Teria um mandato de dois anos, coincidindo de certa maneira com o período previsto para a unificação das ações, que é até 2020. Mas a fonte do jornal declarou que a mineradora “não tem limite de idade em seu estatuto”. “A idade dele não foi uma questão e não é relevante”, completou.

Ou seja: a história ainda está codificada. Precisa, portanto, de uma chave para ser esclarecida para quem tem muito interesse no assunto: a opinião pública.

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