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O momento é decisivo

O ano passado foi um dos momentos mais críticos na história da Vale. A empresa podia ter fechado o exercício em prejuízo, que em 2015 foi de 12 bilhões de dólares (mais de 40 bilhões de reais) para uma receita líquida de US$ 30 bilhões (mais de 14% de acréscimo sobre 2015). No entanto, conseguiu um lucro de quase US$ 4 bilhões. Uma façanha?

Em parte, sim. A companhia conseguiu reduzir despesas e custos, melhorou a produtividade (sobretudo no Sistema Norte), aperfeiçoou a qualidade dos seus produtos e se favoreceu pela melhoria nos preços das commodities ao longo do quarto trimestre de 2016.

Todo esforço feito nos últimos anos culminou em dezembro, quando o S11D começou a produzir, em Carajás, no Pará. Em janeiro deste ano 13 navios, dois deles os maiores do mundo, os Valemax, com capacidade para 400 mil toneladas cada um, carregaram o minério no porto da Ponta da Madeira, em São Luís do Maranhão.

A Vale não forneceu essa informação, mas certamente o total embarcado em janeiro passou de três milhões de toneladas. Um começo mais expressivo do que o do início de Carajás, mais de três décadas antes. Indicador de que a meta, de 90 milhões de toneladas de minério de ferro, será mesmo atingida em 2019, ou talvez antes.

Corretamente, a Vale está misturando o minério de Serra Sul, de melhor teor, com o minério de Serra Norte, não tão estupendamente rico quanto o de S11D, ambos de Carajás. Mesmo com a blendagem (a empresa também não informa as proporções na mistura), o preço é compensador e a jazida poderá durar mais.

Os números mostram que a Vale só conseguirá superar as dificuldades que passou a enfrentar com a queda vertiginosa do minério de ferro a partir de 2014, quando atingiu seu maior faturamento (de US$ 47 bilhões), graças ao peso cada vez maior do Sistema Norte.

Bastou o início do S11D para Carajás bater o seu recorde de produção, em dezembro. A mina do Salobo também atingiu seu próprio recorde em 2016, com 176 mil toneladas de cobre, com sua capacidade nominal plena registrada a partir de setembro.

Os bons resultados do ano passado só foram possíveis porque a Vale está colocando tudo no máximo para superar a produção, compensando menor receita relativa por maior oferta quantitativa. É uma estratégia de risco, considerando-se que 46% da produção total vai para a China (em proporção ainda maior se considerado apenas Carajás) e, com os 16% adicionais de Japão e Coreia do Sul, praticamente dois terços se destinam à Ásia.

A Vale vendeu mais dois dos seus Valemax, os maiores navios do mundo, o que acentuou sua dependência do transportador alheio e onerou o custo do frete. Ainda não deu para entender o proveito dessa política, sem que haja alguma transação de bastidores ainda desconhecida.

A dívida líquida empresa, em torno de US$ 25 bilhões, praticamente permaneceu a mesma e é pesada. O caixa livre cresceu, mas não o bastante para abater a dívida, cuja amortização terá que ser maior a partir de 2020.

A Vale, porém, não abriu mão de distribuir dividendos na forma de juros sobre o capital próprio, que, até abril, somarão US$ 5,5 bilhões (R$ 875 milhões já foram pagos). A iniciativa certamente tem o propósito de manter a atração dos investidores pelos seus papéis para as mudanças que serão feitas até abril.

Nunca foi tão importante para a sociedade saber melhor sobre a saúde da maior empresa privada brasileira. E acompanhar em cima o desenrolar das decisões sobre o seu futuro. Depois, Inês já estará morta e o leite derramado.

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