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A Vale vai acabar

O que se previu aconteceu hoje. A Vale anunciou um novo acordo de acionistas, com o qual se tornará uma sociedade “sem controle definido”. A mudança seria para “aumentar a transparência e a igualdade de direitos para todos os detentores de ação”.

O novo modelo societário será submetido aos sócios para aprovação. Mera formalidade, já que a decisão foi tomada pelos controladores do capital da companhia. Bastará que contem com a adesão dos detentores de 20% do controle acionário. Ao final da transição que será agora iniciada, a Vale desaparecerá.

Os principais acionistas da maior mineradora brasileira e a terceira do mundo, que foi estatal até 1997, vão renovar, por mais três anos e meio (a vigorar a partir de 10 de maio), o atual acordo, que lhes assegura o controle do capital e, portanto, das decisões.

“A transação parece ser uma vitória para os acionistas controladores e minoritários”, disse à Reuters Rodolfo de Angele, analista da JPMorgan Securities.

As mudanças na Vale foram acertadas pelos maiores acionistas da companhia: Litel Participações (que reúne os fundos de pensão Funcef e Petros, sob o comando da Previ, do Banco do Brasil), Litela Participações, Bradespar (do Bradesco), a japonesa Mitsui e BNDES Participações.

Segundo O Globo, as ações preferenciais da Vale operavam em alta de mais de 5% por volta das 11h50, enquanto as ordinárias tinham alta semelhante. Já os papéis da Bradespar subiam mais de 14%.

O acordo prevê a conversão voluntária (se o acionista assim desejar) das ações preferenciais classe A da Vale em ações ordinárias, na relação de 0,9342 ação ordinária por ação preferencial. O valor das ações será definido com base no preço de fechamento das ações ordinárias e preferenciais. A apuração terá por base a média dos últimos 30 pregões na bolsa de valores de São Paulo anteriores a 17 de fevereiro, ponderada pelo volume de ações negociado nesses pregões.

Cumprida essa etapa, a Vale incorporará a sua controladora, a Valepar, e pagará aos seus proprietários um prêmio de 10% por suas ações. Essa iniciativa diluirá os acionistas minoritários em 3%, considerada condição prévia para o restante do processo de transformação da estrutura da Vale. Tudo realizado, a empresa deixará de existir em novembro de 2020.

“Fontes familiarizadas com o assunto” disseram à Reuters em janeiro que a Bradespar e o Previ, fundo de pensão dos empregados do Banco do Brasil, buscaram o plano para aumentar o apelo da Vale entre os investidores.

Uma vez que o acordo expirar, nenhum acionista poderá ter mais de 25% da Vale, sob pena de ter que realizar Oferta Pública de Aquisição (Opa) para os demais acionistas titulares de ações ordinárias.

A proposta prevê ainda que 20% dos integrantes do Conselho de Administração serão conselheiros independentes.

Para analistas ouvidos pela agência inglesa de notícias, o plano também ajudará a limitar as interferências do governo na empresa. “A melhoria da governança decorrente da mudança poderia ajudar as ações da Vale a reduzirem o ‘gap’ de valorização em relação aos seus pares globais de mineração”, declararam.

Na surdina, os controladores da Vale querem se livrar da companhia do governo, beneficiar os investidores estrangeiros e abrir caminho para o que pode vir a ser a maior transação da história da mineração no Brasil: a transferência da Vale aos chineses.

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