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De Eliezer a Eike: a queda

Para vergonha do seu pai, o engenheiro Eliezer Batista, nome sagrado da mineração brasileira, por mais sujeita a controvérsias que seja a sua importante presença na história recente do país, seu filho mais notório, Eike Batista, se tornou, ontem, foragido internacional da justiça brasileira. Mas a ordem de prisão expedida contra ele, em mais uma etapa da Operação Lava-Jato, embora já o confirme como um dos maiores corruptores do Brasil, apenas toca de leve no alcance da sua ação.

Em 2012, ele chegou a ser o sétimo homem mais rico do planeta. Sua fortuna era calculada em 30 bilhões de dólares (quase 120 bilhões de reais ao câmbio do dia) pela revista Forbes. Todos os processos instaurados até o momento perante a justiça ou no plano administrativo não chegam nem a 1% desse valor. É significação apenas cosmética, portanto. Mas ele deixou o país (ou fugiu, talvez por ter conseguido informação privilegiada, mais uma – pela enésima – vez) dois dias antes da expedição do mandado de prisão (e de ordem de vigilância a todos os aeroportos) porque seria dura a cana que lhe era reservada.

Eike seduziu ou corrompeu todos aqueles que, postados no seu caminho, podiam ajudar a abrir-lhe as portas para a sua meta: ser o homem mais rico do globo terrestre. Comprou um paletó de Lula por 500 mil reais, pagou propinas ao governador Sérgio Cabral, sequestrou financeiramente homens-chaves da Petrobrás, fez e aconteceu como se fora um marajá da Índia, um sultão ou um Romanov. Um homem acima do bem e do mal, inalcançável – graças à sua imaginação, audácia, inteligência e impetuosidade (ou arrogância).

Um homem de tal envergadura que foi à boca do lobo e lá, perante os homens da Lava-Jato, como se fora Al Capone diante de Elliot Ness, se antecipou ao lance dos investigadores e disse tudo que sabia (ou que queria que pensassem que sabia). Reconheceu que corrompia, sim, como fez ao pagar no exterior, por fraudes, o milionário marqueteiro da campanha de Dilma Rousseff, João Satana. A Odebrecht tinha todo um departamento de propinas, como jamais houve outro em qualquer outra empresa mundial. Só que, em matéria de Eike, não havia comparação: ele era o mundo.

Só que não concluiu o curso de engenharia iniciado na Alemanha. Logo, se preso, irá para uma cela comum. Os crimes que fundamentaram a decretação da sua prisão representam um troco nas suas contas. Um bom advogado o livraria de permanência mais longa atrás das grades. O problema é o mundo que está atrás dessa fachada. Fachada que, aliás, sempre foi a arma de Eike Batista, a razão da sua vertiginosa carreira e a causa da sua ainda mais vertiginosa derrocada.

Dos US$ 30 bilhões em ativos que ele forneceu a Forbes para brilhar no ranking da revista americana, um terço era dinheiro do BNDES. Foi o aval para a acumulação de dinheiro alheio aplicado com a garantia de que, uma vez finda a aventura do mais alucinado capitalismo de papeis, os verdadeiros investidores tivessem o seu dinheiro de volta, através do governo brasileiro.

Afinal, Lula e Dilma não posaram ao lado de Eike, com tal postura que dele pareciam coadjuvantes, levantando-lhe o braço com o pulso adornado pelo mais caro relógio que um fabricante coloca no mercado? Não era a Eike que os dois presidentes do Partido dos Trabalhadores apontavam como o protótipo do novo – e maior – capitalismo brasileiro, dando seus passos na direção da expansão sobre o mercado internacional?

Por isso, Eike deve ter causado o grande desgosto pelo qual não esperava (muito menos merecia) o engenheiro Eliezer Batista, ex-ministro das Minas e Energia, ex-presidente da Companhia Vale do Rio Doce, arquiteto do fluxo de minério de ferro brasileiro (especialmente de Carajás) para a Ásia. Eliezer merecia chegar ao fim dos seus dias, que, esperamos, ainda demore, num terreno menos enlameado. Ou é o prelo devido que o personagem da história paga pelo silêncio do pai às aventuras do filho, com o uso abusivo do nome engalanado?

Mas se o lodo é inevitável, que ele venha por inteiro. Pois o que está faltando nessa nova etapa da Lava-Jato é chegar à origem de muitos dos males que se refletiram no esquema de corrupção montado em torno da Petrobrás: é a caixa preta do BNDES, sangrando em meio trilhão de reais para gerar um poderoso capitalismo, tendo, na verdade, da montanha parido ratos dourados, como Eike Batista.

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Discussão

4 comentários sobre “De Eliezer a Eike: a queda

  1. A Humanidade para DEUS e 1 quilo de bosta é a mesma coisa.
    Ass: Francisco Genuino.
    De que lado vocês vão ficar cpls das FFAAs e Judiciário ?
    Quanto a mais do quanto o Brasil arrecada os novos donos das estatais lucram cpls das FFAAs e Judiciário ?
    Vocês $ub$erviente$ aos políticos mesmo portanto as armas e a balança ?

    Publicado por Francisco Genuino | 28 de janeiro de 2017, 12:00 am
  2. Ao Dr. Eliezer e familia, que nada têm a ver com esse individuo-cidadão, a nossa solidariedade……

    Publicado por DANIEL PEREIRA JUNIOR | 28 de janeiro de 2017, 7:51 am
  3. Infelizmente seu comentário vai além da sua imaginação. Esqueceu que a Lava-jato serve aos mesmos senhores milionários. E que o Eike batista chegou a este patamar por ter informações privilégiadas do próprio pai…
    !!!

    Publicado por GERALDO RABELO | 28 de janeiro de 2017, 10:55 am
    • Alguma outra ação judicial denunciou e prendeu mais milionários e bilionário, qualquer que seja o seu negócio ou filiação política, do que a Lava-Jato ?
      Eike é mais produto de Lula e Dilma, com seus 10 bilhões de reais repassados pelo BNDES, do que do PSDB.
      As informações mais privilegiadas, Eike as obteve comprando algumas das melhores cabeças da Petrobrás. Ele deve ter usado informações do pai, mas usou, acima de tudo, o fato de ser filho de Eliezer.

      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 1 de fevereiro de 2017, 6:58 pm

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