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Carajás: novo capítulo

Não houve descontinuidade: acionado o primeiro vagão para receber minério de ferro, começou imediatamente a operação comercial da mina do S11D, o maior projeto de mineração em implantação no mundo. No primeiro dia de funcionamento regular, em 2019, sairão 33 mil toneladas a cada dia da Serra Sul, na província mineral de carajás, no Pará, no rumo do segundo maior porto de exportação do país, na ilha de São Luiz do Maranhão.

No final de um ano de plena atividade, serão 90 milhões de toneladas adicionadas, quase a duplicação da produção atual, obtida pela lavra na mina de Serra Norte. O Pará se tornará o maior produtor e exportador de minério de ferro do Brasil, desbancando Minas Gerais da sua hegemonia mundial.

Era um dia para estar em S11D. O presidente Michel Temer não foi, sendo substituído pelo ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. O motivo teria sido o mau tempo em Carajás, com fortes chuvas, que impediam o pouso do avião presidencial. O ministro se justificou a aparente contradição da sua presença: seu avião passou pela última abertura nas nuvens antes do fechamento completo do teto para o pouso.

O governador Simão Jatene também não foi, mas provavelmente por um motivo mais temporal. Devia se sentir desconfortável na solenidade com o filho preso por ordem de um juiz federal, numa investigação iniciada no ano passado sobre uma quadrilha que desviava dinheiro dos royalties da exploração mineral, da qual Carajás é justamente o maior alvo.

Mas esteve presente o presidente para o Brasil da multinacional japonesa, Tatsuo Yasunaga, e o presidente do Bradesco, Luis Carlos Trabuco. Em 1997 as suas empresas se tornaram acionistas da Vale, a dona do empreendimento, quando ela foi privatizada. Mas, por lei, não podiam ser. A Mitsui por ser uma grande compradora de minérios da então estatal. O Bradesco por ter feito a modelagem da venda. Mas são os que agora mandam na mineradora, junto com o governo, que, mesmo com a maioria das ações que votam, não exerce – ao menos publicamente – o seu poder.

Muito menos o povo, que, como na proclamação da república no Brasil, viu tudo à distância, bestializado, parodiando a famosa frase de Aristides Lobo, o jornalista que viu o fim do império “ao vivo”,

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