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Vale: americano em primeiro lugar

A Vale deverá investir no próximo ano 1,1 bilhão de dólares a menos do que o previsto para este ano. É uma redução de 20%, de US$ 5,6 bilhões para US$ 4,5 bilhões, conforme as projeções apresentadas ontem pela mineradora na Bolsa de Valores de Nova York.

Haverá nova queda em 2019, para US$ 4 bilhões, com uma estabilização em US$ 4,5 bilhões em 2018. Esse programa de investimento quadrienal inferior a US$ 20 bilhões coloca a Vale  em patamar abaixo do nível das outras mineradoras do mundo. A tendência decrescente não deverá se inverter tão cedo, já que para 2021 a previsão de investimento é de US$ 2,9 bilhões.

A perspectiva desfavorável se acentua porque de 2012 a 2016 os gastos com investimento da mineradora caíram 65%, depois de atingirem, naquele ano, seu ponto máximo, de US$ 16,2 bilhões.

Há ainda um agravante, conforme o comunicado da companhia: seus investimentos nos próximos anos serão feitos principalmente em manutenção e reposição da sua capacidade de produção. O presidente da Vale, Murilo Ferreira, procurou atenuar o quadro ressaltando que a implementação bem-sucedida de projetos, aliada à disciplina na alocação de capital, permitiu a redução dos investimentos.

O efeito dessa iniciativa foi atender o mercado acionário, que a Vale acha que lhe foi muito exigente – e ameaçador, sedento pór dividendos. A partir de 2017 a expectativa é de que o caixa passe a ter um fluxo positivo para atingir mais de US$ 19 bilhões em 2021.

Isso, apesar de a Vale ter que abater US$ 12,4 bilhões da sua dívida entre 2017 e 2020, o que não assusta os seus executivos, segundo a exposição feita em NY.

Eles preveem que se o preço do minério de ferro se mantiver nos atuais US$ 50 a tonelada, a distribuição de dividendos pode atingir níveis mais altos e a dívida se reduzirá. Com o preço a US$ 60, a distribuição dos dividendos será maior e a dívida se reduzirá mais rapidamente.

Durante esse período, a Vale vai manter sempre um piso de 400 milhões de toneladas por ano, atingindo 450 milhões no início da nova década, em 2021. Nesse momento, Carajás representará mais da metade do total, contribuindo com 230 milhões de toneladas de um minério mais rico do que qualquer outro, inclusive o de Minas Gerais, que ficará em segundo lugar pela primeira vez.

Será o auge da capacidade da nova mina, de S11D, que já começará a produzir em janeiro do próximo ano, sem que os paraenses se deem conta de que é o maior investimento do setor mineral em todo mundo e a última grande incorporação de jazida feita pela Vale.

Para pagar a imensa dívida deixada pela década de Roger Agnelli na presidência e contestar os detentores de papeis da companhia, que nela aplicaram suas economias, a Vale só encontra um caminho:incrementar a extração de minério, esgotando a jazida de Serra Sul em 40 anos.

Não foi por acaso que a mineradora brasileira fez o anúncio em Nova York e não – também – em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Belém. Os mais numerosos acionistas com preferência ao recebimento de dividendos compraram seus papéis na Bolsa de Valores novaiorquina.

De lá saiu muito dinheiro e para lá retornará, multiplicado. Os paraenses continuarão a ver esse movimento como a parte invisível das idas e vindas dos imensos trens, que levam o precioso minério de Carajás para o mundo, numa viagem que não tem volta.

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