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China vai mais fundo

O China Investment, fundo soberano dono de uma carteira no valor de 814 bilhões de dólares (equivalente a mais de 15% do PIB do Brasil), lidera um grupo de investidores chineses que negocia a compra potencial de parte da produção futura de minério de ferro da Vale por até 30 anos, segundo fontes ouvidas pela agência americana de notícias Bloomberg.

Se o acordo for fechado, a Vale poderá receber um adiantamento de US$ 9 bilhões. A mineradora brasileira está empenhada em arrecadar US$ 10 bilhões com a venda de seus melhores ativos até o fim de 2017 para suportar o custo da sua pesada dívida e manter os investimentos elementares.

Mesmo que essas tratativas não cheguem a bom termo, algumas empresas chinesas e tradings japonesas também estão buscando acordos, incluindo a aquisição de uma fatia minoritária em ativos brasileiros de minério da Vale, informa ainda a Bloomberg.

O fundo CIC é controlado pelo governo da China, o país que mais importa minério de ferro do mundo. Seu objetivo seria o de “lucrar com uma recuperação dos preços das commodities sem ter de arcar com todos os riscos operacionais associados às minas”.

O Banco Mundial projeta uma recuperação modesta dos preços das commodities no próximo ano, em virtude do aumento da procura. A instituição prevê que os preços do minério de ferro cairão nos próximos anos, mas em torno de 2025 subirão para US$ 65 por tonelada por volta de 2025.

O minério com 62% de hematita pura, menos rico do que o de Carajás, entregue no porto chinês de Qingdao caiu 0,3%, para US$ 60,71 a tonelada no final da semana passada.

Como suas concorrentes no mercado internacional – Freeport-McMoRan, Glencore e Anglo American – a Vale e vendeu ativos para enfrentar uma dívida líquida de US$ 27 bilhões, que se formou exatamente quando a queda nos preços das commodities prejudicou o seu faturamento.

A situação se agravou com o rompimento da barragem da Samarco em Minas gerais, provocando o maior acidente ecológico da história da mineração. A Vale é sócia da empresa, com metade das suas ações.

Na semana passada, a justiça manteve a vinculação do rompimento da barragem da Samarco a  uma garantia que proíbe a mineradora de vender participações em suas operações de minério de ferro. Mas a empresa espera adotar formas jurídicas que tangencia essa restrição.

Quanto a Vale terá que pagar para se livrar da situação difícil em que se encontra? A situação de desespero, como qualquer um sabe, não serve de boa conselheira. Ainda mais quando está em jogo um patrimônio de centenas de bilhões de dólares, como as jazidas de minério de ferro de Carajás, cobiçadas por todos que transacionam com esse bem – principalmente por chineses e japoneses.

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Discussão

2 comentários sobre “China vai mais fundo

  1. Lúcio, desde sempre leio quase tudo o que você escreve sobre a situação paraense relativa a mineração, e fico a pensar: será que eu sou muito burro ou somos todos burros e você um Dom Quixote messiânico já cansado de malhar nesse ferro frio da incompetência associada a uma falta de patriotismo impressionante não apenas dos paraenses, mas até nacional? Qualquer criança tem certeza da finitude desses minérios e não se ouve de governantes e muito menos da sociedade dissociada e desorientada, nada sobre a industrialização por mais incipiente que seja dessas nossas riquezas imensuráveis.
    O que dirão nossos descendentes lá pelo ano de 2050, quando restarem no solo tão somente as gigantescas crateras onde outrora a natureza ofertava suas mais generosas e preciosas dádivas que hoje nos escapam pelos dedos da desorganização social e da leseira coletiva que continua nos assolando?
    Lúcio, pouco tenho acompanhado as discussões sobre a política paraense, uma vez que estou fora do Estado há mais de 8 anos mas o que você poderia me dizer sobre o que me parece uma inércia inexplicável tanto do governo quanto da sociedade que faz com que sua constatação do crescimento rabo de cavalo continue incontestável? Existe alguma iniciativa por exemplo, realização de seminários e afins sobre essa discussão tão fundamental e urgente?
    Um abraço
    Fernando

    Publicado por Fernando Rabello | 7 de setembro de 2016, 12:10 pm
    • Obrigado por sua participação, Fernando. Existe, sim, preocupação e até algum debate, mas sem efeito prático. O governo Jatene criou o programa Pará 2030, do qual falarei. Mas é mais com interesse político do que preencher essa grave e angustiante lacuna a que você se refere. Também vou falar da segunda onda dos grandes projetos de ineração.

      Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 10 de setembro de 2016, 8:42 pm

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