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Siderúrgica de Marabá

No primeiro mandato de Almir Gabriel como governador, que começou em 1995, a ainda estatal Companhia Vale do Rio Doce se dispôs a patrocinar um estudo sobre as alternativas de desenvolvimento do Estado. O levantamento seria comandado por ninguém menos do que Eliezer Batista, ex-presidente da empresa, ex-ministro e um dos notáveis da república.

O trabalho foi realizado, mas o Pará continuou a sua marcha forçada colonial como exportador de matérias primas. A Vale conduzindo o trem com as riquezas locais, daquelas que não dão duas safras, como os minérios.

Duas décadas depois, a cena se repetiu. Na semana passada, o governador Simão Jatene (que, em 1995, era o primeiro-ministro de Almir, como seu principal secretário) assinou um protocolo de intenção com o presidente da já privatizada Vale (mutação que completará 20 anos em 2017).

O objetivo é criar um grupo de trabalho para “discutir e buscar alternativas de projetos e investimentos para a implementação de complexo siderúrgico em Marabá, no sudeste do Estado, levando em consideração a utilização dos modais existentes”, que são a ferrovia de Carajás, em pleno uso, e a hidrovia do Tocantins, bloqueada na garganta do Pedral do Lourenço. É o que informa o porta-voz oficioso da Vale e do governo tucano, O Liberal.

Pura jogada política e de relações pública, que interessa a ambas as partes, mas nada significa para o povo paraense. A Vale, manchada pela lama despejada em Minas Gerais e Mariana a partir do rompimento da barragem de deposição de rejeito de minério de ferro, quer fazer algo que soe importante, simpático e progressista.

A desgastada administração Jatene necessita de bandeiras, plataformas e realizações, ainda que em abstrato e de vago significado futuro. A repetição do episódio anterior é, como diz o filósofo, a farsa do verdadeiro drama.

O grupo de trabalho é todo de chapas brancas, integrado por gente sancionada pelo governador: representantes do próprio governo, da Vale, da Assembleia Legislativa, da Federação das Indústrias, da Associação Comercial de Marabá (novamente cooptada) e da prefeitura municipal, que deu seu endosso a mais esse conto (do vigário?). Nenhum representante técnico, acadêmico ou científico. Ninguém da sociedade civil.

Dá para acreditar que seja realmente para valer, num momento de crise siderúrgica nacional, complexidade no mercado internacional do aço, grande dependência da China e a opção da Vale por vender cada vez mais minério para compensar, pelo volume físico, a queda do preço, impondo uma concorrência que liquidará os fracos na competição? A mineradora criará problema de relacionamento e de trato comercial com seus clientes, desdizendo e contradizendo a sua estratégia?

Se a Vale pode garantir todas essas respostas e confirmar sua mudança de estratégia, então a história poderá ser outra. Pode acreditar logo quem colocar sua meia ao lado da lareira para esperar com antecipação a visita de Papai Noel.

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