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A culpa pela tragédia

Agora é o momento de colocar as lupas da ciência sobre o desastre de Mariana. Assim haverá boa contribuição para avaliar os danos, calcular os valores indenizatórios, preparar um plano de ação para toda a área atingida pelo vazamento dos rejeitos de minério de ferro e tomar esse exemplo como parâmetro de ação para todo Brasil.

Consultei um técnico de grande conhecimento da questão,que me fez 17 observações preciosas para compreender o que aconteceu e evitar que o desastre se repita, ou, não podendo, prevenir seus efeitos e minimizar os prejuízos que pode causar.

Listo as informações para uma análise acurada dos leitores e novas reflexões.

1 – Foi uma enorme tragédia e certamente poderia ter sido evitada.

2 – Provavelmente, os cortes orçamentários de todas as mineradoras de ferro podem ter reduzido os cuidados com a segurança das barragens.

3 – As barragens estão em uma situação geográfica crítica, no alto de serras, o que agravou a tragédia.

4 – A destruição foi predominantemente física, uma verdadeira tsunami, nos primeiros 80 a 100 km da barragem.

5 – A lama verdadeira ficou nas proximidades de Mariana.

6 – O restante foi água barrenta como a de qualquer enchente.

7 – Não há toxidade na lama e na água barrenta: óxidos de ferro, de manganês, de silício e de alumínio, ou seja, areia e barro como de qualquer manto de intemperismo. O arsênio, detectado em algumas amostras, deve ser contaminação antiga da mineração de ouro.

8 – As barragens de rejeitos da minas de sulfetos (cobre, zinco, níquel ou chumbo) e de ouro apresentam toxidade. [O Pará produz cobre e níquel]

9 – O rio Doce está com água barrenta como o Solimões… A lama das enchentes do Amazonas é considerada como uma dádiva para as várzeas. Talvez o Amazonas jogue no mar por hora mais do que tudo que o rio Doce está jogando.

10 – O problema enorme é nas proximidades de Mariana… Pessoas perderam parentes e amigos, animais, suas propriedades, sua história e seus bens pessoais e sentimentais (fotos, cartas, documentos, etc.)…. Isso não tem preço e a Samarco não está sabendo trabalhar com isso..

11 – A Samarco foi lenta na reação na mídia e deixou a carga sobre a Vale… E deixou pouco claro o que vai fazer…

12 – A mídia aproveitou para agredir a Vale, e indiretamente o Murilo, indicado pela Dilma.

13 – A BHP foi quase que poupada e todo projeto é dela. A Samarco era da BHP e da Samitri, e só depois da privatização é que a Vale adquiriu a participação da Samitri.

14 – O rio Doce já estava degradado há anos… Talvez essa tragédia sirva para motivar um plano para a sua recuperação…

15 – A situação do Tietê e da Baía de Guanabara é bem pior, e todos se calam… Não vejo o Ministério Público atuando nisso…

16 – A Samarco deveria ter agido com rapidez, no atendimento dos que perderam tudo e na recuperação de tudo que não ficou sob a lama, e que vai exigir mais tempo… As vilas e propriedades que foram atingidas apenas pela enchente da água barrenta já deveriam ter sido limpas e recuperadas… É burrice deixar aquela igreja, com marcas da enchente, continuar aparecendo na mídia…

16 – Além da mídia e da oposição à Dilma, talvez a BHP também tenha gostado dos maiores ataques terem caído na Vale… As duas são as maiores concorrentes no mercado internacional de minério de ferro… A Vale foi lenta para reagir contra isso… O que custou de prejuízo na imagem da Vale, por essa lentidão, certamente teve um custo bem maior do que se tivesse havido pressão da Vale, como sócia, para que a Samarco assumisse e agisse com rapidez.

17 – A Vale poderia ter aproveitado a “deixa”  para divulgar o Projeto S11D, onde o peneiramento será a seco (com umidade natural do minério), sem barragem de rejeitos, e com outros ganhos econômicos e ambientais…

Enfim, houve incompetência generalizada, semelhante à do Governo Federal para reagir contra a crise política e econômica.

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Discussão

2 comentários sobre “A culpa pela tragédia

  1. .

    Publicado por Lucas Ribeiro | 9 de novembro de 2016, 10:21 pm

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