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Mistérios em Serra Leste

Em março a Vale começou a produzir na mina da Serra Leste, em Curionópolis, no sul do Pará. O projeto previa a produção de 2 milhões de toneladas de minério de ferro e assim fora aprovado e licenciado. Mas já então a Vale reconhecia que ele fora subestimado. A estrutura ficaria parte do ano parada se essa escala fosse seguida.

Enquanto começava a operação da mina, a Vale apresentou ao Estado uma nova carta-consulta para 6 milhões de toneladas, o triplo do que fora definido como viabilidade econômica. A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade segurou o pedido. Em setembro, quando a produção já teria que ser interrompida, a Vale decidiu começar a demitir funcionários e dispensar empreiteiros.

Foi um corre-corre em Curionópolis e um frisson em Belém. Fontes da mineração garantiam que o governo sentara na carta-consulta da Vale para obrigá-la a pagar dívida de 1,8 bilhão que teria com o Estado e que a empresa contesta, inclusive judicialmente. Era – falando em linguagem polida – uma pressão. Em expressão rasteira, chantagem – que o governo, evidentemente, negou.

Mas ia acarretar a Curionópolis e a área de influência centenas de demissões, a perda de um giro mensal de milhões de reais, sua principal fonte de emprego (presente e futura) e de receita. A Vale ameaçava simplesmente paralisar Serra Leste.

Na terça-feira, 27, a licença ambiental foi concedida pelo Estado. Mas a Vale já protocolou nova ampliação, agora para 10 milhões de toneladas, pouco menos de 10% da produção da sua principal mina atual, a Serra Norte. Terá conseguido a licença emperrada apenas com argumentos e conversas? É questão ainda a apurar.

A expansão em 500% da meta de produção de um projeto, mal ele começa, não é normal. Representa uma mudança de estratégia da Vale, quase um lance desesperado. Indica que a mineradora vai substituir fontes de minério menos competitivas de Minas Gerais, ainda a maior produtora nacional (mas não mais a maior exportadora), pelo produto de mais elevado teor de Carajás.

Assim poderá continuar a competir com os concorrentes australianos – e até deslocar os produtores menos afortunados, que não contam com jazidas da magnitude da província mineral de Carajás – no complicado mercado asiático, sobretudo na China. O que era Minas será, cada vez mais, Pará.

E o que o Pará sabe disso além dos conciliábulos entre quatro paredes?

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