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O preço da megalomania

Se a Guiné possuía uma das maiores reservas de minério de ferro do mundo, a Vale tinha que ser dona dessa riqueza. Afinal, é a maior vendedora interoceânica dessa matéria prima no mundo. Com base nesse raciocínio majestático e megalomaníaco, Roger Agnelli se associou a um notório aventureiro, o israelense Beny Steinmetz, para assumir o controle das minas de Simandou e Zogota, na África.

O negócio tinha tudo para não dar certo. O especulador pagara 170 milhões de dólares pelos direitos minerários, em 2008. A Vale lhe pagou 2,5 bilhões de dólares para assumir 51% do controle de uma joint venture que formaram para fazer a exploração. Seria uma barbada se não fosse descoberto o pagamento de propina a representantes do governo da Guiné em troca de vantagens para assumir a posse das duas minas.

Em abril do ano passado a concessão foi revogada, sem direito a indenização. Apesar de todos os esforços que fez para legalizar a operação, argumentando que só ingressou no negócio depois da compra das jazidas, a Vale não teve sucesso. Para não tisnar sua imagem no mercado internacional, a empresa brasileira se retirou do projeto, que já a obrigou a lançar como perdas US$ 2,8 bilhões.

A sangria, porém, ainda não foi estancada, causando preocupação aos seus acionistas, numa conjuntura desfavorável para o minério de ferro, cujo preço caiu quase 300% em três anos. A Vale garante que recuperará as perdas através de ação judicial contra o empresário israelenses, mas o ceticismo é geral.

O projeto africano é um dos itens mais onerosos no acervo deixado por Roger Agnelli, o presidente que por mais tempo comandou a Vale: 10 anos. Ao sair, a Vale era uma multinacional, com múltiplos negócios em várias partes do mundo. Teve que encolher para tentar sobreviver ao contexto atual de deterioração dos preços das commodities e à herança maldita de Agnelli. O que era ouro virou lata.

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Discussão

2 comentários sobre “O preço da megalomania

  1. Caro Lúcio
    Essa é outra questão para cair no mais profundo esquecimento por parte de nossa pouco brava gente e menos brava ainda comunidade intelectual, inadequadamente denominada “formadora de opinião”, uma vez que se Carajás parece situar-se em outro planeta, a Guiné certamente está localizada em uma outra galáxia distante bilhões de anos-luz.
    Só não devemos duvidar de que a conta desse propinesco calote, poderá, de alguma forma, ser descontada de nossos bolsos, uma vez que, é sempre bom lembrar, as minas da Vale estão em solo paraense.
    Fernando.

    Publicado por Fernando | 18 de março de 2015, 1:44 pm

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