//
você está lendo...
Todos os Posts

Carajás ano 40

No dia 31 de julho [de 2007] a descoberta de Carajás completou 40 anos. Até que a mina entrasse em operação, foram 18 anos, oito dos quais sob o controle exclusivo da Companhia Vale do Rio Doce. A então estatal desfez a sociedade com a United States Steel em 1977, depois de sete anos de uma convivência nada tranquila. A multinacional americana foi proprietária única da melhor jazida de minério de ferro do planeta durante dois anos.

Em 1969 os militares impuseram a presença da Vale, como uma forma de exercer controle sobre as atividades daquela que era, então, a maior siderúrgica mundial (Carajás talvez tenha exteriorizado um processo de elefantíase, que já estava instalado na estrutura da corporação americana e provocaria sua decadência, por desajuste histórico).

Em 23 anos de operação, Carajás chega ao seu primeiro bilhão de toneladas produzido. Um feito, mas nada incontroverso. Infelizmente, a opinião pública paraense se mantém insensível ao significado do acontecimento, o que pode muito bem servir-lhe de castigo, pela inconsciência e a imprevidência. Age como se o patrimônio em causa não lhe pertencesse. E se age assim é porque, de fato, mesmo que não de direito, já não lhe pertence mais. Quem não faz a história, é atropelado em seu curso.

De Niterói, onde mora há muitos anos, Breno Augusto dos Santos mandou uma mensagem, logo depois de deixar Carajás, onde foi homenageado. É um privilégio nosso que um dos mais paraenses dentre os paulistas (de Olímpia, terra de todos os Golias) tenha sido o autor da revelação de Carajás. Breno sempre foi uma pessoa exemplar e um profissional de alto coturno (o que chega a ser indispensável para um geólogo de campanha). E é uma felicidade nada frequente ver que, 40 anos depois, ao invés de ser esquecido, como de regra, ele continua a ser vivamente lembrado.

Como o próprio Breno faz questão de ressaltar, ao tomá-lo como objeto da homenagem, a direção de Carajás louva também vários outros pioneiros de Carajás. Dentre eles, um dos raros que aqui permanece – e ativo – é outro paulista nobre, Vanderlei Beisiegel. Falando por todos, diz Breno na sua mensagem, datada do dia 31:

“Hoje, a descoberta de Carajás completa 40 anos… Talvez a lembrança desta data só tenha significado especial para mim…
Ao longo dos meus 67 anos, a vida tem me propiciado muitas coisas boas, mas tem sido particularmente bondosa em relação a Carajás…

Ter participado dos primeiros momentos de sua história, vivendo o início dos sonhos sobre o potencial mineral de Carajás, motivou uma emoção que ainda me acompanha… Entretanto, muito mais significativo foi ter tido a oportunidade de acompanhar, desde o início até hoje, a evolução do conhecimento de sua geologia e de seu desenvolvimento mineiro, e poder constatar que a realidade mineral ultrapassou todos os sonhos…

No último dia 21 de julho estive novamente em Carajás para receber uma carinhosa homenagem da direção do Sistema Norte da CVRD. Por quase uma hora, percorrendo aproximadamente 25 quilômetros, desde o terminal ferroviário até o clube do núcleo de Carajás, tive a honra de conduzir a tocha olímpica que marcaria o início dos ‘Jogos do 1 Bilhão’, comemorativos da produção total de minério de ferro que deverá ser atingida nos próximos dias.

Para muitos, esse acontecimento poderá ser interpretado com um fato menor… Para mim, foram momentos de muita emoção, onde cada lugar percorrido trouxe muitas lembranças e de diversos tempos, como a passagem junto à lagoa do primeiro pouso na jazida N5, ou a participação dos motoristas dos gigantescos caminhões da mina, que pararam para ver a tocha passar, e a saudaram com um buzinaço, com seu gesto me transportando para o passado distante da mina de Serra do Navio…

Lugares e tempos que trouxeram a lembrança de companheiros que deixaram suas marcas em Carajás, alguns dos quais já partiram para sempre, e que gostaria que estivessem comigo para compartilhar a mesma emoção, como compartilhamos no passado os mesmos sonhos…”.

(Artigo publicado em 2007)

Anúncios

Discussão

Um comentário sobre “Carajás ano 40

  1. Lucio Flavio o que que a vale fez ou tem feito , como grande empresa de Mineração pelo curso de geologia da UFPa? , ou porque a UFPa esta tão longe na parte academica e cientifica da maior provincia mineral do planeta.Trabalhei 36 anos na pesquisa em carajas na antiga DOCEGEO , depois Vale.São contados os geologos paraenses , em cargos de relefancia nemhum.Isso merece uma avaliação uma pesquisa e bom texto.

    Publicado por Raimundo Henrique Santos LIma | 31 de maio de 2017, 3:44 pm

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: