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Solução ou problema?

(Este artigo foi escrito em 2007, quando a Vale queria aumentar a produção de alumínio da Albrás, a maior produtora individual do metal no Brasil. Para isso, estava disposta a recorrer a usinas térmicas a carvão, as mais poluentes que existem. Felizmente esse esquema não foi aplicado. A Vale acabou vendendo a Albrás, junto com a Alunorte e a mineradora de bauxita de Paragominas. Para a norueguesa Norsk Hydro. E várias das previsões que então se fazia não se realizaram. Felizmente. Mas fica a lição para se comparar as situações no intervalo de sete anos)

A Abal (Associação Brasileira do Alumínio) patrocinou um anúncio, no início de 2007, para informar que o setor fez uma escolha: a autogeração de energia. Ao custo de 4 bilhões de reais, disse que estava implantando 14 usinas, “que garantirão à indústria do alumínio mais de 50% de autossuficiência energética”, permitindo-lhe liberar energia elétrica para outros setores da economia, “sem necessidade de investimento público”. A imagem vinculada ao anúncio era de uma hidrelétrica, mas a peça não dizia quantas das usinas teriam fonte hidráulica e quantas usariam outro energético.
Tratava-se de medida de grande impacto. A indústria de alumínio é a que mais consome energia, parte dela fornecida com subsídio pelo poder público, que se endividou pesadamente para garantir esse fornecimento. A Albrás, em Barcarena, e a Alumar, em São Luís, que representavam então mais de 3% de todo consumo de energia do Brasil, funcionaram durante 20 anos recebendo energia a uma tarifa que lhes permitiu economizar o equivalente a uma fábrica nova para cada uma. Renovados em 2004, esses contratos asseguram energia a preço favorável até 2024.
Mas para a capacidade instalada atual, que gravita nas duas indústrias em torno de 450 mil toneladas anuais. Para a expansão, seria preciso buscar outra fonte de suprimento. Como essa necessidade é premente e a energia de fonte hidráulica representa uma alternativa complexa, a Albrás, segunda maior produtora do continente e oitava do mundo, estava partindo naquele momento para o carvão mineral.
A Companhia Vale do Rio Doce, que dividia o controle da fábrica com os japoneses, pediu à Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado, no final do mês passado, o licenciamento ambiental para uma térmica com capacidade para 600 mil quilowatts, que deverá assegurar uma grande ampliação da produção da Albrás. Surpreendentemente, o carvão viria da Colômbia. Era de se esperar que a CVRD deixasse em Barcarena parte do carvão que traria da China como carga de retorno do minério de ferro. Afinal, a Vale já era dona de um negócio e de jazida de carvão naquele país (além de na Austrália e na África).
Optou pelo carvão colombiano porque, estando mais próximo, sairia mais barato? Ou, independentemente dessa vantagem, para se livrar dos incômodos associados ao carvão chinês? Previam os especialistas que em novembro de 2007 a China passaria à frente dos Estados Unidos como o país que mais polui o planeta. A (literalmente) negra façanha seria devida às térmicas chinesas, que produzem energia queimando carvão de baixa qualidade.
A Vale garantia que a tecnologia a ser usada na sua térmica de Barcarena era muito melhor, assim como a matéria prima. Convém ficar muito atento e exigente no licenciamento ambiental. Nesse caso, esse podia se tornar o mais grave problema de poluição no Pará.

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