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Nas mãos dos chineses

 Este artigo foi escrito em 2009. Desde então, a Vale tentou ressuscitar sua empresa de navegação interoceânica. Encomendou os maiores navios graneleiros do planeta na Coréia do Sul e na China. Mas teve que vender essa gigantesca frota porque os chineses, depois de faturarem na construção, obstruíram a operação dos navios em seus portos. A Vale decidiu então, depois de algumas tentativas para contornar o problema, vender os gigantes. Alguns deles cairão nas mãos de chineses. Esta história não tem boa moral para os brasileiros.

A Vale pode começar a pagar – e caro – por um erro (se erro foi) cometido no início da sua vida como empresa privada, em 1997. Os novos comandantes anularam uma das medidas que a antiga estatal adotou para concorrer com os rivais australianos, que estão a uma distância duas vezes menor, no então florescente mercado asiático: oferecer minério de ferro FOB, desvinculando-o do frete.

O comprador podia ir atrás do preço melhor para transportar a carga. Um dos melhores preços era oferecido pela Docenave, controlada pela própria CVRD, que se tornou uma das mais importantes no mercado interoceânico. Mas a Docenave foi asfixiada até desaparecer. Só em anos recentes surgiu a Log-In, mas apenas no transporte de cabotagem, pela costa brasileira.

Os australianos conseguiram reajuste de preços superior ao da Vale, que teve vantagem em todos os anos anteriores, oferecendo fretes menores aos compradores asiáticos, sobretudo aos chineses, que desbancaram os japoneses do topo do mercado. A tática funcionou e foi usada novamente na renovação dos contratos neste ano. Ao invés de abrir as negociações, como se tornou a praxe, a Vale desta vez esperou pela iniciativa dos rivais. E de novo perdeu a vantagem anterior. E pode continuar a perda, tal a sua vulnerabilidade em relação ao consumo chinês, que dobrou de tamanho do primeiro trimestre de 2008 para o primeiro trimestre deste ano, chegando a absorver a dois terços da produção de minério da empresa.

A Vale pode colher os frutos que plantou com seu expansionismo sem limites: amargos.

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