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Vale: energia é melhor em Minas

A Vale, a maior empresa privada nacional e a segunda maior mineradora do mundo,  vai reduzir à metade a sua participação – de 9% do capital – na Norte Energia, a empresa que comanda a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará, projetada para ser a terceira maior do planeta, com investimento de 30 bilhões de reais.

O dinheiro que arrecadar na transação, pouco mais de 200 milhões de reais, será aplicado na aquisição de parte do capital de uma nova empresa que a mineradora criará, em associação com a Cemig, a empresa de energia de Minas Gerais. Para a mesma Cemig é que a Vale transferirá as ações de Belo Monte.

A diretoria da antiga Companhia Vale do Rio Doce justifica a operação como coerente com sua estratégia de “maximização de valor para os acionistas”. De fato, reduzindo de 9% para 4.41% a sua participação na Norte Energia, a companhia “deixará de prestar parte das garantias associadas à estrutura de financiamento do projeto Belo Monte”.

Essas garantias deverão continuar a crescer. No início do empreendimento elas eram a contrapartida a um financiamento de 19 bilhões de reais. Agora o total a ser garantido pode chegar ao dobro desse valor. A quanto irá nessa progressão até que a primeira das 18 gigantescas turbinas da casa de força principal da hidrelétrica entre em operação, talvez já no final deste ano, quando o custo financeiro crescerá pela aplicação de juros e principal?

Não há mais dúvida que o orçamento da usina continuará a engordar. O problema é que a Vale atingiu um delicado nível de endividamento, que a sua geração de caixa talvez já não seja mais capaz de absorver. Por isso a mineradora tem vendido alguns dos seus negócios (como fez na semana passada, descartando sua empresa de logística), além de reduzir custos e cortar investimentos.

A alienação de parte das ações no projeto do Xingu tem ainda outro atrativo. Em parceria com a Cemig numa nova empresa, a Aliança Geração de Energia, a Vale passará a operar 11 hidrelétricas em Minas Gerais, que interessam diretamente às suas atividades na mineração de ferro, que realiza há 70 anos. O detalhe importante é que, enquanto no Xingu a energia firme prevista para está abaixo de 40% (caindo de 11 mil megawatts para pouco mais de 4 mil), em Minas a energia assegurada o ano inteiro é de mais de dois terços da potência nominal, de 1,2 mil MW.

Mesmo tratando-se de duas realidades distintas (hidrelétrica nova no Pará e usinas já amortizadas em Minas), a diferença significa rentabilidade assegurada nas barragens mineiras, enquanto essa viabilidade econômica é improvável na unidade paraense. Ela foi projetada para ser a terceira maior do mundo em capacidade nominal de geração (mas bem abaixo quanto à energia firme).

Talvez as contas do operador da usina só consigam fechar com subsídio governamental – quem sabe, do tamanho do que a hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins, abocanhou, que foi de mais de dois bilhões de dólares em 20 anos (até 2004).

Daí, sabendo o que diz, a Vale destacar que ao mudar do Pará para Minas estará maximizando “valor para os acionistas”. É neles que a companhia tem pensado ainda mais nos últimos tempos. Por temer que já não lhes possa conceder as regalias financeiras de anos atrás, ainda que aqueles dividendos desvairados sejam a causa principal das dificuldades de hoje, transferidas, como herança ingrata, pela administração decenal de Roger Agnelli. Na ótica da corporação, é preciso tomar essa iniciativa antes que os papeis da mineradora percam a atratividade que tinham e o acionista procure outro lugar para ganhar mais.

Quanto a quem não tem essa alternativa e permanece em Belo Monte, o exemplo indica as dificuldades que ainda virão. Problemas que, como de regra, serão repassados àquele que não costuma mirar a “maximização de valor” do dinheiro que injeta em empreendimentos de viabilidade mais do que duvidosa, como a grandiosa hidrelétrica de Belo Monte.

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