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A voz do dono

Lamentável acidente ocorreu na Serra dos Carajás no dia 31 de março deste ano. Uma árvore desabou sobre um ônibus que seguia pela Estrada do Manganês, numa das áreas de mineração da Vale, matando três e ferindo nove dos seus ocupantes.

À parte a tragédia, que desta vez assumiu uma forma ainda não registrada nos anais de Carajás,, um detalhe me chamou a atenção: continua a se chamar Yutaka Takeda o hospital do núcleo urbano de Carajás, em Parauapebas.

Quando soube da homenagem prestada pela então estatal Companhia Vale do Rio Doce, protestei através deste jornal. A denominação original do hospital era Nossa Senhora de Nazaré. Nada mais natural e merecedor de aplausos. Afinal, trata-se da padroeira dos paraenses, cujo Círio, no segundo domingo de outubro, em Belém, é uma das maiores romarias religiosas do mundo.

Como a CVRD queria homenagear o big boss da Mitsui, a maior compradora de minério de ferro de Carajás na época, que encontrasse outra forma. Inadmissível era fazer a troca.

Um alto executivo da companhia me garantiu então que o hospital voltaria ao seu nome inicial; desliguei-me do assunto. O grave acidente me mostrou que fui enganado. Eu e os paraenses que acreditavam que a Vale dava tanta atenção aos seus clientes quanto aos donos da fantástica província mineral, por ela explorada sob concessão do governo federal.

Mas parece ter havido uma coincidência premonitória: a Mitsui, de maior compradora do minério de Carajás, se tornou dona da empresa quando ela foi privatizada, no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1997. Como compradora, não podia se habilitar ao processo de venda das ações da estatal, conforme as regras do leilão. Mas logo essa regra foi esquecida, inclusive para beneficiar o responsável pela modelagem da desestatização, o Bradesco.

Se o que importa é quem comparece à boca do caixa, então que se substitua o nome do executivo japonês pela de um grande capitalista chinês. A China compra, hoje, três vezes mais minério de ferro do que o Japão de Yutaka Takeda. Por muito mais do que 30 dinheiros.

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Discussão

2 comentários sobre “A voz do dono

  1. A MENTIRA permeia os casos que envolvem a COMPANHIA VALE DO RIO DOCE, seja com a sigla tradicional CVRD, seja com a novidade de mudança da razão social para “Vale S/A” e logomarca, tudo com a ajuda e beneplácito de autoridades incumbidas de fiscalização e cumprimento rigoroso das leis. Por exemplo, na licitação pela modalidade leilão, em 1997, o BRADESCO estava impedido por lei, mas participou, direta e indiretamente. A Constituição Federal de 1988 (artigo 37, XXI) e a Lei 8.666/1993 não existem para os beneficiários e responsáveis pela venda espúria. Por isso, a alteração do nome do hospital, ou a declaração fraudada da quantidade de minério de ferro, ou a avaliação em ZERO do valor das reservas de ouro da mineradora, para possibilitar a alienação do controle acionário a preço vil não devem espantar o espírito dos conformistas e conformados.
    O absurdo mais recente foi o parecer de um procurador da República, no Estado do Pará, DANIEL CÉSAS AZEREDO AVELINO, asseverando que “a jurisprudência já se consolidou no sentido de que a privatização da referida Companhia já é fato consumado”,teoria muito ao gosto dos advogados do grupo BRADESCO,mas desmentida pela ementa do acórdão utilizado pelo parecerista em sua ardorosa defesa dos arrematantes da mineradora. Este é o mais novo herói no reino de pinocchio, com o detalhe muito relevante de que existe lei (4717/1965, artigo 6o., p. 4o.) proibindo os membros do Ministério Público de fazerem esse tipo de defesa em detrimento do patrimônio nacional.

    Publicado por Eloá dos Santos Cruz | 30 de setembro de 2012, 9:07 pm
  2. A MENTIRA permeia os casos que envolvem a COMPANHIA VALE DO RIO DOCE, seja com a sigla tradicional CVRD, seja com a novidade de mudança da razão social para “Vale S/A” e logomarca, tudo com a ajuda e beneplácito de autoridades incumbidas de fiscalização e cumprimento rigoroso das leis. Por exemplo, na licitação pela modalidade leilão, em 1997, o BRADESCO estava impedido por lei, mas participou, direta e indiretamente. A Constituição Federal de 1988 (artigo 37, XXI) e a Lei 8.666/1993 não existem para os beneficiários e responsáveis pela venda espúria. Por isso, a alteração do nome do hospital, ou a declaração fraudada da quantidade de minério de ferro, ou a avaliação em ZERO do valor das reservas de ouro da mineradora, para possibilitar a alienação do controle acionário a preço vil não devem espantar o espírito dos conformistas e conformados.
    O absurdo mais recente foi o parecer de um procurador da República, no Estado do Pará, DANIEL CÉSAR AZEREDO AVELINO, asseverando que “a jurisprudência já se consolidou no sentido de que a privatização da referida Companhia já é fato consumado”,teoria muito ao gosto dos advogados do grupo BRADESCO,mas desmentida pela ementa do acórdão utilizado pelo parecerista em sua ardorosa defesa dos arrematantes da mineradora. Este é o mais novo herói no reino de pinocchio, com o detalhe muito relevante de que existe lei (4717/1965, artigo 6o., p. 4o.) proibindo os membros do Ministério Público de fazerem esse tipo de defesa em detrimento do patrimônio nacional.

    Publicado por Eloá dos Santos Cruz | 30 de setembro de 2012, 9:10 pm

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