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Vamos abrir a caixa preta

Em 2005 a Vale publicou pela última vez em papel o seu relatório anual. Desde então, seu balanço sai apenas no Diário Oficial da União (por ser obrigatório) e em algum jornal especializado e de baixa circulação.

Para consultar suas demonstrações financeiras anuais, só acessando o site da empresa. Com muito mais trabalho e tendo que se submeter à pulverização dos números por desagregados trimestrais.

A Vale está entre as 20 maiores do mundo. É a maior do continente e, naturalmente, a líder do ranking brasileiro. É também a que mais exporta, sendo as exportações o lastro do crescimento econômico do Brasil, hoje a sexta maior economia do planeta, graças às commodities, sobretudo as minerais.

Até 2004 a prestação de contas da corporação saía em capa dura, papel de primeira, ricamente ilustrada, generosa em informações, como um livro ou um álbum. Podiam-se colecionar os volumes e consultá-los com mais facilidade e proveito.

Não por coincidência, o crescimento da Vale a partir de 2005, graças à China, foi acelerado como nunca. A empresa se espalhou pelos quatro continentes e se diversificou. Primeira em minério de ferro, se tornou a segunda em níquel, graças à compra da canadense Inco. E se preparou para ficar como uma das maiores em cobre

Relação de causa e efeito?

Não procede a argumentação dos porta-vozes da Vale de que não se faz mais esse tipo de leitura em papel. A própria empresa continuou a publicar dessa forma o seu relatório de desenvolvimento sustentável, no qual apregoa suas virtudes de governança, sua sensibilidade ao meio ambiente e sua responsabidade social.

Essa publicação é cada vez maior e mais sofisticada. Propaganda pura.

A Vale também promove generosas campanhas publicitárias na mídia, apenas institucionais. Não é para vender mais, já que o seu grande mercado é o internacional, asiático em primeiríssimo lugar, e os contratos são de longo prazo. É para se promover. E atrelar a si as grandes empresas jornalísticas, das quais a empresa é dos maiores anunciantes.

Por que, ao invés de peças sem conteúdo, apenas para serem vistas e impressionarem os desavisados, a Vale não publica seus balanços em todos os principais jornais dos Estados nos quais atua?

Outras empresas fazem isso. Por que não a maior de todas? Por que ela esconde os seus números, enquanto inunda os jornalistas de releases, querendo induzir sutilmente o que escrevem?

Vamos fazer uma campanha para que o balanço anual da Vale volte a ser publicado em papel, como em todos os anos anteriores a 2005, na forma usual, e saia nos principais jornais dos Estados onde ela atua, sem estabelecer uma relação de troca de favores e venda de fidelidade editorial.

Escreva para a direção da empresa. Escreva para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Mande mensagens para a imprensa e os blogs de informações. Vamos forçar a Vale a abrir o caixa (e a caixa preta).

Ao mesmo tempo, gostaria de pedir às pessoas competentes para realizarem a tarefa que leiam as demonstrações contábeis da Vale de 2011, divulgadas pouco tempo atrás, e façam sua análise a respeito.

Gostaria, em especial, de ter uma avaliação do grau de endividamento da Vale: ele é aceitável, suportável, normal?

Aguardo as respostas.

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Discussão

39 comentários sobre “Vamos abrir a caixa preta

  1. Parabéns, pelo site. Realmente foi uma vergonha essa privatização. É hora de nos mobilizarmos à respeito.

    Publicado por ricardo mac cord | 11 de abril de 2012, 12:13 pm
    • Uma maravilha de analise nobre amigo!
      O que me faz lamentar a nossa omissão quanto cidadãos brasileiros e prol desta “democracia” unilateral.
      Meus parabéns!

      Publicado por Aércio José | 11 de abril de 2012, 3:51 pm
    • Você queria o que? Deixar a vale estatizada e ineficiente como toda empresa estatal? Se hoje, mesmo ela sendo privada, a Dilma exigiu a troca do seu presidente, imagine se fosse estatal. Seria apadrinhados políticos pra todo lado.
      Essa discução é típica de um país “bananeiro”. O japão, por exemplo, não tem e nem quer ter jazidas de minérios. Ele importa esses componentes dos paises bananeiros e depois agrega valor nos seus fantásticos produtos tecnológios.

      A melhor coisa que o Brasil pode fazer é aderir aos Estados Unidos da América e se tornar o seu 51 estado.

      Publicado por Eike | 11 de abril de 2012, 10:29 pm
      • Infelizmente o país não investe profundamente em Ciência e Tecnologia, muitas universidades sequer tem algum dinheiro para bancar suas pesquisas. Se tivesse um fiel apoio do Estado, todo este minério sem valor agregado, poderia ser convertido e utilizado em produtos mais “nobres”, ai sim sermos considerados um país emergente e não de “bananeiros”!
        O nome deste tipo de coisa é IGNORÂNCIA científica.

        Publicado por Dyoni | 12 de abril de 2012, 10:47 am
      • É muito triste ler essa exortação de ufanismo norte-americano, quando sabemos que a primeira coisa feita pelos arrematantes do acervo da CVRD foi colocar a maior parte das ações representativas do controle da UNIÃO na Bolsa de Valores de Nova York (a famigerada NYSE). Quem lê o Decreto-Lei 4.352, de 01/06/1942, fica sabendo que, para criar a CVRD,, o governo federal teve de indenizar os ingleses acionistas da Itabira Iron Ore e da Estrada de Ferro Vitória-Minas, com dinheiro do Tesouro Nacional. Ninguém sabe onde estavam os empreendedores privados nessa hora, aqueles tipos geniais que começaram a vida com US$ 500 mil dólares e em dois anos anos acumularam fortuna de US$ 2 milhões de dólares; ou abriram corretoras de títulos mobiliários e surpreenderam ao alcançar o primeiro lugar do “ranking” do mercado, ninguém se dando conta de que a carteira da corretora era alimentada por papai presidente do BNDES e da BNDESPAR..
        A “discução” assim escrita é realmente de “bananeiro”. Mas a discussão séria proposta neste espaço faz sentido, sim, porque o Japão não tem nem pode ter jazidas de minérios devido a uma simples questão de impossibilidade geológica, mas os seus administradores, privados ou públicos, costumam fazer “hara-kiri”, quando surpreendidos em falcatruas ou quando têm seu conceito moral comprometido. A China, ao que consta, costuma fuzilar os corruptos assim considerados pelo seu governo e mandar a conta do custo da munição, para a família do falecido reembolsar.
        Não morro de amores pelo PT, mas não me impressiona a presidenta DILMA (como LULA foi ela é omissa em mandar apurar como se promoveu e efetivou a toque de caixa o leilão de ações da CVRD) substituir o representante do BRADESCO e de suas transnacionais controladoras de fato por um competente técnico de carreira da CVRD na direção desta; o que me impressiona é o quadro de executivos da CVRD dita “privatizada” (*) contar entre seus diretores com o Sr. LUCIANO SIANNI PIRES, pessoa que era chefe de gabinete do presidente do BNDES até a véspera da liberação de uma linha de crédito US$ 7,3 bilhões, inédita no País, quando, no ano anterior, a mineradora tinha apresentado lucros líquidos de US$ 7,5 bilhões. Enquanto simples cidadão, a mim preocupa, sim, o fato de ter sido anunciado no edital de venda do controle acionário da CVRD, publicado no Diário Oficial da União de 06/03/1997, a obrigação de os arrematantes aplicarem recursos próprios para alavancar as atividades empresariais da ex-sociedade de economia mista até 2012, porém, muito antes disso, esses arrematantes, favorecidos com o arreglo de pagar o preço da arrematação com moedas podres e descontar o ágio (US$ 338 milhões de dólares) do lance vencedor como benefício fiscal, camuflados depois como grandes empresários, necessitarem da colaboração financeira do “principal instrumento de execução da política de investimentos do governo federal” (vejam na Lei 4.596/1994, artigo 23), governo federal esse que promoveu intensa campanha na multimídia nos meses anteriores ao leilão de ações, visando a convencer o público em geral de que não dispunha de condições para os investimentos na Empresa e hoje cobra dezenas de milhões sonegados à Receita Federal. E me preocupa esse discurso recorrente de que a CVRD anterior a 06/05/1997 fosse ineficiente e um cabide de emprego, sem a honestidade de esclarecer que ela, sob regime estatal, foi a primeira a se comprometer em CONTRATO DE GESTÃO e demonstrar sua eficiência, par a par com as melhores do setor privado; o discurso dos privatizadores em causa própria omite que a Mineradora teve em sua direção brilhantes administradores, a exemplo do “Engenheiro do Brasil”, ELIEZER BATISTA, pai do xará do comentarista aqui rebatido – com o devido respeito – que muito bem poderia ter sugerido fosse a razão social da CVRD, ilicitamente alterada em atentado processual (**) para a antonomásia “Vale S/A”, substituída por CVRDX ou VALEX. Aliás, em recente vídeo biográfico, dirigido pelo cineasta VICTOR LOPES, o “Engenheiro do Brasil” se declarou contrário à desestatização do controle da CVRD, contou o seu empenho junto ao governo FHC para que isso não acontecesse, mas, no mesmo vídeo está o depoimento do ex-presidente confessando ter sido a iniciativa ideia do seu ministro do planejamento, JOSÉ SERRA, encampada por ele, a fim de poder dar seguimento à política de “privatizações”.

        (*) A redação vigente do artigo 173, parágrafo primeiro, da Constituição Federal de 1988, na data do leilão das ações da CVRD, declarava que estavam submetidos ao regime jurídico das empresas privadas as entidades governamentais dedicadas à exploração de atividade econômica. Portanto, sob o ponto de vista estritamente jurídico, dizer que a CVRD foi privatizada foi um “entrar para dentro” ou “sair para fora”, redundância marota de uma jogada política para enganar o público.

        (**) No edital de venda de suas ações, a UNIÃO se reservou o direito de VETO de algumas matérias submetidas às assembleias de acionistas, entre as quais a mudança do nome social, de modo que a alteração para a denominação “VALE S/A”, em 2006, durante a trâmite de várias ações populares ainda hoje em andamento, sem prévio comunicado expresso a qualquer órgão ao Poder Judiciário configurou o que se denomina ATENTADO PROCESSUAL.

        Publicado por Eloá dos Santos Cruz | 12 de abril de 2012, 7:54 pm
  2. Gostei da matéria …… nosso país está sendo vendido… bem debaixo de nossos olhos … vamos acordar Brasil…

    Publicado por emerson | 11 de abril de 2012, 1:21 pm
  3. Muito boa matéria, Isso que nós chamamos de Brasil é na verdade um circo onde os palhaços somos nós.

    Publicado por Robson | 11 de abril de 2012, 1:53 pm
  4. Lúcio Flávio, venho acompanhando uma luta como a sua, de falar a verdade em um brazil de mentira!

    Publicado por Fuego | 11 de abril de 2012, 2:00 pm
  5. Camaradas, estamos realizando no sul e sudeste paraense, uma campanha contra o saque dos nossos minérios por entender que este modelo não passa de um saque das riquezas do povo brasileiro e pra populações atingidas só ficam os problemas. O objetivo da campanha é denunciar o roubo que está sendo feito contra todo o povo brasileiro. http://mineracaosudesteparaense.wordpress.com/2012/03/26/campanha-contra-o-saque-das-riquezas-naturais/

    Publicado por tmdacruz | 11 de abril de 2012, 2:09 pm
  6. Sou brasileiro, conheço várias Minas da VALE. A Empresa deve ser um orgulho para nós Brasileros, afinal é a segunda Maior Mineradora do Mundo. Nós deveríamos de nos envergonhar de nosso governo e governantes, que não tivéram competencia para elevá-la a este patamar. Quanto ao preço pago na época, foi muito justo para uma empresa sucateada, carente de técnologia assim como de empreendedorismo. A imcompetencia administrativa do governo é que deveria ser contestada. O BRASIL PRECISA DE GENTE COM ROGER AGNELLI.

    Publicado por Henrique Corvino | 11 de abril de 2012, 2:10 pm
    • Concordo contigo Henrique. Se a VALE mantivesse estatal até hoje, em vez de ser uma das empresas mais rentáveis do mercado seria o maior cabide de empregos do mundo. Destacaria sempres pelo lado negativo. Acredito que tenha havido erros e algumas faltas num processo desta natureza, mas faz parte de um projeto desta magnitude. Não podemos ficar remoendo e perdendo tempo com uma discussão desta natureza.

      Publicado por JMH | 11 de abril de 2012, 3:52 pm
  7. Acho memorável debater sobre a atuação da Vale no nosso país.
    Uma empresa que usa-se da palavra SUSTENTABILIDADE sem ao menos saber do que se trata.
    Não estamos apenas sendo sucateados em nossas matérias primas minerais, estão destruindo nossas riquezas naturais para abastecer um mercado chinês e comprarmos dos mesmos produtos a base do nosso minério de ferro bem mais elaborados, bem mais caros. O lucro dessa transação não é revertido para os brasileiros. Para nós ficam apenas as grandes crateras inutilizáveis para qualquer finalidade produtiva.
    O problema maior é a política nacional energética está se voltando totalmente para abastecer as atividades da Vale. Pensem em quanto se gasta da NOSSA água para lavar todo o minério extraído do nosso solo, pensem em quanto de energia é necessária para manter funcionando 24h uma empresa com as dimensões da Vale.
    Tudo está relacionado. Belo Monte é o primeiro passo para o imperialismo futuro em solos amazônicos para fazer enriquecer acionistas, empresas internacionais… A Vale é a maior demanda energética do país. Mas o custo benefício que ela deixa não me faz crer que estamos crescendo. Na verdade estamos nos rendendo à uma ÚNICA empresa.

    Publicado por Naiara | 11 de abril de 2012, 2:44 pm
  8. tb sou contra dar de mao beijada um patrimonio como a vale, no entanto de que adianta vale, petrobras, etc se nunca nenhum brasieiro é beneficiado. A petrobras por exemplo é um verdadeiro cabide de emprego. Sera que a esta altura a vale tb não o seria?? A petrobras não repassa um unico centavo dos seus lucros aos brasileiros, nem em forma de combustivel barato (um dos mais caros do mundo) o qual seria o minimo a esperar de um pais que se diz autosuficiente em petroleo. Ate meu cachorro administraria a petrobras, empresa sem nenhuma concorrencia, e que destina a maior parte de seus lucros para cobrir rombos do governo brasileiro, pagar juros e uma pequena fatia para reenvestimento, o que é um valo absurdo.
    O fato meus amigos é, sera que nossos politicos tem a capacidade para gerir empresas deste porte?? Na minha opiniao não.
    Correriamos o risco de ter o Tiririca como presidente da vale no eterno jogo de distribuição de cargos.

    Publicado por andre | 11 de abril de 2012, 2:58 pm
  9. A Vale é um exemplo, mas quantas empresas brsileiras foram Privatizadas, e estão sendo ainda Privatizadas? Não sou contra as privatizações, mas duvido de o dó, se haveria tanto interesse de Empresas sejam ela Nacionais ou Internacionais se o Brasil Privatizasse, sòmente 49% das Empresas e ficasse com 51% das ações das mesmas. Qualquer ignorante que entenda de Parceria, sabe que a Presidencia das mesmas cabe a quem possui maior quota das mesmas, tendo as decisões a favor do povo do Brasil, por outro lado os acionistas minoritários, interessados no lucro, não permitiriam a intromissão Politica dos abutres do Governo, que teria condição de controlar ganhos honestos das Empresas Privatizadas, não permitindo a ganancia das mesmas com valores absurdos cobrados ao consumidor, seria o equilibrio tão almejado da chamada Democracia.

    Publicado por Joaquim Caniceiro | 11 de abril de 2012, 3:06 pm
  10. Parabéns, quem sabe através do seu site a gente não consiga fazer algo por nosso país, algo que nos faça esquecer um pouco a vergonha que nos agride constatemente, com políticos que levam dinheiro na cueca, juizes que são afastados por atitudes suspeitas e aposentados com salários absurdos, é auxilo isso, auxilio aquilo, e nós brasileiros de coração, ficamos assim…sem palavras pra tanta impunidade.

    Publicado por wanderson oliveira | 11 de abril de 2012, 3:09 pm
  11. Sobre a abordagem inicial desta matéria (“Vamos abrir a caixa preta”), principalmente quando a atual administração da CVRD se prepara para o pagamento de dividendos de US$ 06 milhões de dólares norte-americanos (cerca de R$ 10,3 milhões de reais) em duas parcelas, nos dias 30 de abril e 31 de outubro, calculados sobre os lucros líquidos de 2011, parece oportuno lembrar que a Lei das S/A (6.404, de 15/12/1976), obriga os administradores a comunicar à bolsa de valores, à CVM e ao público em geral qualquer FATO RELEVANTE (ver artigo 157, p. 4 da citada lei). Em nenhum momento dos 15 anos comentados nesta matéria os administradores da mineradora foram a público, conforme a ordem legal, comunicar, ainda que apresentando versão de sua conveniência, a existência de enorme contencioso de ações populares, que pode implicar na restituição do patrimônio público ou sua indenização (artigo 182 do Código Civil Brasileiro).
    A questão da “irregularidade” da participação do BRADESCO entre os componentes do consórcio “Brasil”, vitorioso no leilão do controle acionário da CVRD, não é somente de violação às regras do certame. É violação à norma da Constituição Federal/1988, que obriga a alienação de bens públicos pelo regime de licitação (ver artigo 37, inciso XXI) e ao preceituado na lei reguladora 8.666, de 21/06/1993 (artigo 17, “caput” e inciso II, letra “c”). O fato de a lei autorizar a dispensa de licitação por qualquer das modalidades previstas (inclusive pela de leilão em bolsa), não elimina a exigência de avaliação correta dos bens alienados e, no caso da CVRD, os julgamentos de recursos em quase 06 dezenas de ações populares no Tribunal Regional Federal -1a. Região (Quinta Turma), no dia 26/10/2005, concluíram pela existência de fraudes gravíssimas no laudo de avaliação do acervo da mineradora (sonegação de bens, subavaliação etc.). É só conferir por consulta ao site http://www.trf1.jus.br, “inteiro teor de despachos, decisões e acórdãos”, Processo 199739000108178 (e dezenas de outros) o relatório e voto da Desembargadora Federal SELENE MARIA DE ALMEIDA. Nesses julgamentos sequer foi apreciada, certamente porque ficou para exame posterior, a associação ilegal entre o BRADESCO e a CSN, então dirigida pelo Sr. BENJAMIN STEINBRUCH e com participação acionária de mais de 17% do banco paulista, enquanto o Estatuto das Licitações não admite percentual acima de 05%. E mais tarde, a criação da parceira BRADESPAR, usando na formação do capital o que o BRADESCO tinha de ações da CSN, da LIGHT e… da CVRD foi a confissão mais explícita possível da ilegalidade.
    Por isso, nos julgamentos do Regional foi ordenada a retomada dos processos de ações populares em primeira instância, em Belém/PA, onde não fora julgado o mérito, devendo a sentença nesse sentido ser antecedida de avaliação por equipe técnica multidisciplinar, mas, para evitar essa possibilidade de resultado judicial contrário a seus interesses, os atuais manipuladores ocultos da CVRD interpuseram apenas em nome dela várias medidas judiciais, que há 07 anos mantêm em suspenso esses processos perante o Poder Judiciário (ver no site http://www.trf1.jus.br, as Ações Populares 199739000108178, 199739000126968 e 60 outras; no site http://www.stj.jus.br, o Conflito de Competência CC 19686/DF e a Reclamação Rcl 2259; no site http://www.stf.jus.br. o Recurso Extraordinário RE 633954, a Ação Cautelar AC 2716 e a Arguição de Impedimento AImp 9).
    Um segundo ponto a merecer reflexão do público em geral é o destino dos lucros líquidos da CVRD, que o ato legislativo de sua criação (Decreto-Lei 4.352, de 01/06/1942) determinou fossem de apenas 15% para os acionistas e “o que restar” para um fundo público para desenvolvimento e melhoramento do vale do do rio doce, conforme projeto elaborado pelos governos do Espírito Santo e Minas Gerais, aprovado pelo Presidente da República. Evidentemente, esse benefício foi limitado aos dois Estados porque eram onde a CVRD atuava naquele momento histórico, devendo ser estendido aos demais Estados, principalmente aos que passaram a sofrer sua atividade extrativa, deletéria ao meio ambiente. O que não era admissível era fazer o que foi feito, ou seja, permitir aos arrematantes especuladores ficar com a parcela maior de lucros líquidos (“o que restar”), sem obter autorização legislativa regular ou revogar expressamente o DL 4.352/1942.
    O enquadramento da CVRD no Programa Nacional de Desestatização em 1995, por proposta do ministro JOSÉ SERRA aprovada pelo presidente FHC, constituiu vários equívocos. Primeiro, o equívoco de apelidar de “privatização” o que não passou de mera abdicação do controle acionário da Empresa; segundo, porque a mineradora já nasceu como sociedade de economia mista, portanto privada, sob a regência do Decreto-Lei 2.627, de 26/09/1940, cujos artigos referentes às sociedades anônimas dependentes de autorização do Governo para funcionar foram mantidos pela atual lei reguladora das sociedades abertas (6.404, de 15/12/1976), ao longo de cujo texto é encontrado um capítulo específico para essas entidades (artigos 235 a 240); terceiro, porque, independente da vontade dos governantes entreguistas daquela hora, a própria Constituição Federal já submetia ao regime jurídico das empresas privadas as estatais BANCO DO BRASIL, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, PETROBRÁS etc., dedicadas à exploração de atividade econômica (ver o texto original do artigo 173, p. 1, vigente na data do leilão de 06/05/1997 e assinado por FHC como constituinte, antes de alterada mais de um ano depois pela Emenda Constitucional 19, de 04/06/1998).
    Outro aspecto ainda a ser apurado, sem esgotar as múltiplas ilicitudes configuradas, é o da remuneração e comportamento dos administradores em geral da CVRD. I) A remuneração (compreendendo bônus e benefícios) é fixada arbitrariamente para a maioria dos executivos em valores superiores ao do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal. Ora, enquanto não definida judicialmente a titularidade do controle acionário da CVRD, esta continua integrada aos quadros da chamada “administração pública indireta” e seus dirigentes têm de ser havidos como “agentes públicos”, arrolados no elenco de destinatários do artigo 37, inciso XI, da Constituição Federal de 05/10/1988, com o texto original ou com o acrescido pela Emenda Constitucional 41, de 19/12/2003. E não se pode esquecer também que, mesmo superado o debate judicial sobre a titularidade do controle acionário, a UNIÃO se reservou o direito de VETO depois do leilão de 1997 em algumas matérias cruciais na vida da Empresa, o que lhe acarreta o DEVER (olá MPF) de manter nela o respeito aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade (= transparência) e eficiência. II) Quanto ao comportamento, é estranha a naturalidade com que se aceita o “troca-troca”, a exemplo do que aconteceu quando da liberação do empréstimo de R$ 7,3 bilhões de reais pelo BNDES, constando ter havido intermediação do chefe de gabinete do banco governamental, que foi nomeado diretor da CVRD no dia seguinte com remuneração de R$ 80 mil reais e benefícios.
    A apreciação pública desses e de outros aspectos despercebidos pelo público em geral merecia a atenção do Ministério Público Federal. No entanto, no Rio de Janeiro o MPF tomou ostensiva e expressamente a defesa da “Vale S/A” (razão social alterada em atentado processual), no litígio sobre os dividendos. E o RE 633954, de que depende o destino das ações populares propostas desde 1997, ainda por ser julgado no STF está à espera de parecer do MPF desde 04/08/2011.
    Queira Deus o espaço aqui aberto em feliz hora possa realmente servir de alerta às autoridades dignas deste País. Tomara possamos um dia, a despeito de toda a perspectiva negativa, afirmar que HÁ JUÍZES NO BRASIL.

    Publicado por Eloá dos Santos Cruz | 11 de abril de 2012, 3:36 pm
  12. Caros amigos. Assim é que devemos debater: sobre fatos concretos. Qualquer um que tire suas conclusões, Mas sem atropelar os fatos.
    É fato: o preço de venda da CVRD em 1997 foi ínfimo. Quem o provou na época, em matéria de 12 ou 18 páginas (não lembro agora e não tenho o exemplar em mãos, mas foi a maior matéria publicada em todo mundo sobre a privatização da Vale), foi a Euromoney. Disse que o controle da companhia valia três vezes mais. Na pior das hipóteses.
    É fato: para que a CVRD fosse a leilão o governo gastou uma fortuna (o vaor exato, não se sabe) no programa de demissões, que engoiliu 12 mil funcionários. Toda a gordura de que alguns falam, como efeito da politicagem dentro de uma estatal, foi cortada. O adquirente pegou uma companhia enxuta. Talvez o que o governo investiu na preparação da “noiva” para o compromisso tenha sido maior do que o arrecadado no leilão.
    É fato: nenhum país, mesmo o mais capitalista deles, os EUA, entregariam a uma empresa privada a logística que a Vale só montou por ser estatal. Peço aos leitores que encontrem uma corporação privada que tenha uma estrutura semelhante em seu país, herdada de uma estatal. Nem Margareth Thatcher fez ou faria igual.
    Com essa estrutura e com o boom chinês, cuja dimensão ninguém previu, a Vale acumulou recordes sobre recordes de produção, faturamento e lucro. Mas quanto retornou à população brasileira? Se já tivéssemos uma taxação sobre o lucro líquido, esse retorno teria sido de pelo menos US$ 3 bilhões em 2011. Receita líquida para investimentos públicos, não imposto, compras, salários, etc., que integram o processo produtivo.
    Por isso – e por muito mais – aprofundemos o exame da questão. Com fatos antecedendo as conclusões.

    Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de abril de 2012, 4:11 pm
  13. Um povo que se deixou vender por tão pouco…O engraçado é que antes de vender fizeram um grande investimento… É para sentar e chorar…Lamentavel

    Publicado por Ronaldo | 11 de abril de 2012, 4:12 pm
  14. Gente, o apelo não é para que se reclame e termine em pizza, é justamente para fazer algo a respeito. Alguém se lembra de Evo Morales dizendo à Petrobrás e a outras empresas que o que se extraia da Bolívia era dos bolivianos e “botando pra fora” as empresas estrangeiras? Pois então. Precisamos nos unir e fazer algo a respeito. Claro que nessa privatização teve roubo, propina e tudo mais bem típico da população brasileira. O que devemos fazer é mudar as coisas. Começamos pelas redes sociais? Vamos pra Brasília? Deem opiniões. O que o brasileiro parece não enxergar é que encher o maracanã no domingo é entretenimento, encher as ruas do país em protesto é sinal de eduação, saúde, segurança, qualidade de vida, etc. etc. etc.

    Publicado por Amanda | 11 de abril de 2012, 5:03 pm
  15. Sr. Henrique Corvino:
    Com o devido respeito à opinião externada, me permito contrariá-la pelos seguintes motivos, entre muitos outros que poderia arrolar. Não é verdade que o preço pago pelo controle acionário da CVRD R$ 3,38 bilhões) tenha sido justo: foi pago com “moeda podre”, financiado pelo BNDES (= próprio Governo Federal) e o valor do acervo da mineradora foi subavaliado, porque houve manipulação fraudulenta e grosseira do consórcio avaliador integrado pelo BRADESCO, instituição financeira esta que, depois, também integrou o consórcio vitorioso na arrematação. A não ser no discurso MENTIROSO do Sr. LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, não é verdade que a CVRD estivesse sucateada ou carente de empreendedorismo (nesse ponto, por generalização injusta, o Senhor atinge em julgamento preconceituoso(*) uma gama enorme de profissionais competentes, que construíram o magnífico complexo logístico minas-ferrovia-portos, numa amplitude tal que gerou a cobiça do mundo inteiro, principalmente a dos especuladores de capital transnacional). O Brasil não precisa de um representante de capitalistas como ROGER AGNELLI, “enfant gaté” do dono do BRADESCO; o Brasil precisa de Gente Decente, como o Senhor FRANCISCO FRANCO DE ASSIS FONSECA (um desconhecido para esta Nação desinteressada dos seus verdadeiros heróis), que, com a autoridade de ser Superintendente da DOCEGEO, a empresa coligada da CVRD especializada em pesquisa geológica, teve a coragem de declarar durante o disfarçado regime ditatorial FHC(**) em 23/02/1997 (Diário do Pará, página A-2), portanto antes da data do infeliz leilão realizado a toque de caixa no dia 06/05/1997: “A lucratividade da Vale aumentará muito no futuro próximo, devido a dois fatores: LIQUIDAÇÃO DA DÍVIDA DE CARAJÁS e ABERTURA DE GRANDES E LUCRATIVAS MINAS DE OURO. Esse aumento de lucratividade, resultado de décadas de administração competente sob regime estatal será mentirosamente atribuído à privatização. Economistas bisonhos louvarão as virtudes da privatização e apresentarão a Vale como exemplo. A economia deixou de ser uma ciência séria e se transformou em uma numerologia enganadora, a serviço de interesses dominantes.”

    (*) É preciso relativizar as coisas. As exceções que possam ser apontadas, não autoriza ninguém a afirmar que todo administrador público é pecador; assim como não se pode jurar que todo administrador privado é virtuoso. Lá como cá, anjos e demônios há!

    (**) Considero corajosa a declaração do Superintendente da DOCEGEO porque, por muito menos, ao declarar na imprensa ser pessoalmente contrário à prorrogação de mandatos de presidente da República, um dirigente da Petrobrás foi demitido, apesar de a nossa Constituição Federal de 1988, assinada por FHC sem prever prorrogação no texto original, proclamar que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.

    Publicado por Eloá dos Santos Cruz | 11 de abril de 2012, 5:27 pm
  16. A ressalva de Eloá vem em hora oportuna. Francisco Fernandes personificou o funcionário competente, aplicado e criativo que foi a base e sustentação da CVRD estatal. Pessoas como ele criaram uma consciência e uma cultura da mineração no Brasil, que serviu de indutor da expansão da atividade industrial. Homenagem justa e necessária.

    Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de abril de 2012, 5:50 pm
  17. Onde se lê Francisco Fernandes, leia-se Francisco Fonseca, a quem tive a honra de conhecer e cujo pequeno e precioso livro sobre a exploração sustentável de minérios é uma fonte de referência atual.

    Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de abril de 2012, 5:51 pm
  18. Nosso saudoso Presidente Getúlio Vargas como patriota fez grandes obras, grandes empresas, só que na sua grande sabedoria não preveu que um governante, presidente da república eleito pelo povo, iria botar tudo isso a venda por preço de banana, se tivesse previsto que isso aconteceria, com certeza faria leis irrevogaveis para que isso nunca acontecesse, impossibilitando atitudes de imbecis.

    Publicado por Paulo | 11 de abril de 2012, 5:53 pm
  19. Há muito que se revelar… Espero que este espaço possa contribuir para isso.

    Publicado por debatendobrasil | 11 de abril de 2012, 9:45 pm
  20. Enquanto se discute a lisura do ato de privatização (discussão lícita, diga-se de passagem), a Vale, como as empresas do mesmo ramo, continua gerando empregos (remunerando brasileiros e cidadãos do mundo – mais brasileiros que os demais). A mesma Vale, como as empresas de atuação similar, continua pagando impostos, taxas e contribuições (não quero entrar no mérito dos percentuais, se são justos ou não). O ponto é: o que se faz com o dinheiro arrecadado com essa taxação? Quanto desse dinheiro (pago pela Vale, pelas demais empresas do país e por nós, cidadãos) é desviado, não cumpre sua destinação constitucional, vai para o ralo? Aqueles que (mal) gerem todo esse dinheiro IMPOSTO à Vale, às demais empresas e pessoas físicas, também foram os mesmos que tomaram a decisão sobre a privatização, tanto da Vale quanto de outras empresas. Imagine-se, por hipótese (só uma hipótese), qua a privatização seja revertida. Seria revertida para quem (mal)gerir? Os mesmos de sempre! Os competentíssimos e honestos gestores públicos – sem querer generalizar. Na hipótese da empresa nacionalizada, (eleição após eleição, grupos novos (?!) se sucedendo no poder), teriam condição de novamente tomar a decisão: manter a empresa sob administração pública ou, novamente privatizá-la, para que possamos, todos nós, rediscutir a lisura dessa nova privatização. Permitam-me reposicionar o debate: por que não discutimos e tomamos posição e decisões para acertar algo maior: o processo de gestão pública (governo). A Vale vale. O governo vale?

    Publicado por José Carlos | 11 de abril de 2012, 10:03 pm
  21. Vamos tomar cuidado com os assuntos. Um é a privatização da Vale que traz vários questionamentos e outro são os impostos pagos pelo setor. Vamos lembrar que não existe só Vale mas milhares de outras pequenas e médias empresas que geram inúmeros empregos no País . Não é verdade também, como querem alguns, que se paga apenas 2% em impostos e sim mais 2% (CFEM) pela atividade além de todos outros impostos.
    A abordagem está equivocada, acho que devemos discutir é onde o Estado (Federal, Estadual e Municipal) gasta o que arrecada o que não é pouco uma vez que temos as maiores taxas tributárias do mundo.
    No caso específico do minério de ferro a Austrália cobra de 5% a 7,5% do preço do minério na mina, na China 2% sobre o valor da venda, na Indonésia 3% sobre o valor da venda e no Brasil 2% sobre o faturamento líquido. Comparações não são boas uma vez que estes países não têm a carga tributária que temos no Brasil, servem apenas como uma luz. A Austrália cobra possivelmente a menor taxa, pois, o preço na mina é baixo. O que agrega valor é o transporte, pelotização, etc.

    Publicado por Arlindo Sales Campos | 11 de abril de 2012, 10:22 pm
  22. “MEIO MILHÃO DE EMPREGADOS OU DEPENDENTES DIRETOS”
    “20% DO RESULTANTE EM ATIVIDADES NO EXTERIOR”
    “30 BILHÕES DE DOLERES DE LUCRO LIQUIDO”
    A VALE é o sonho de consumo do projeto de poder montado pelo PT. Caso ela volte a condição de estatal alguem acha que esta empresa continuará com estes resultados?

    Publicado por Haroldo Silva | 11 de abril de 2012, 11:22 pm
  23. Não temos de discutir a privatização, mas sim a forma como a mesma foi realizada, por debaixo dos panos, sem discussão com a sociedade. Enquanto estatal não dava lucro e servia apenas como cabide de emprego. Temos de saber onde foram os outros milhões pagos e não declarados.

    Publicado por Ronaldo Stumpf | 12 de abril de 2012, 8:54 am
    • Sr. Ronaldo Stumpff:
      Esse modo de generalizar (“enquanto estatal não dava lucro e servia apenas como cabide de emprego”) é falso e injusto. No meu caso, por exemplo, fui servidor da COMPANHIA VALE DO RIO DOCE, então com a sigla CVRD, de setembro de 1987 a maio de 1995 e não fui admitido por favor político. Vivo dos meus proventos de aposentado, não pertenço a nenhum partido político (nem quero) ou ONG marota, criada para recolher na sacolinha. Sempre trabalhei acima das jornadas obrigatórias, tenho consciência da qualidade dos meus serviços e conheço razoavelmente a legislação da Empresa, de modo que posso afirmar ter a CVRD apresentado seu primeiro resultado financeiro positivo em 1954 e, à exceção de dois ou três exercícios de anos com crise financeira mundial, nunca mais deixou de proporcionar lucros.
      Foi essa lucratividade excepcional e a sua potencialidade os fatores determinantes da cobiça de especuladores transnacionais. A propaganda de que a CVRD era ineficiente atendeu a uma política de grupelhos, liderados por figuras exponenciais do governo federal da época (FHC, JOSÉ SERRA, LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS et caterva), interessados em abdicar do controle acionário da Empresa a qualquer custo. Ou pelo maior custo em favor deles (ninguém sabe, e o sigilo fiscal e bancário impede saber, quantas ações da Mineradora estão hoje empoder desses “pais da pátria”). Para alienar o controle da CVRD violaram a Constituição de 1988 (artigo 37, inciso XXI) e a Lei 8.666/1993 (Estatuto das Licitações), motivo pelo qual, na qualidade cidadão já aposentado e desincompatibilizado pela minha qualidade de empregado, pude propor ações populares, questionando (i) a legalidade da forma como se procedeu à alienação e (ii) como passaram a ser distribuídos os lucros líquidos da Mineradora, que até o nome mudaram para tirar suas características de Empresa Brasileira, conceitualmente já respeitada no mundo inteiro quando FHC chegou em má hora ao poder. O aumento geométrico da lucratividade da CVRD já era previsto em suas áreas de planejamento há mais de 30 anos e não foi por outro motivo que uma porção de políticos mal cheirosos, o BRADESCO, a CSN de BENJAMI8N STEINBRUCH, CITIBANK, JPMORGAN, MITSUI, ANGLO-AMERICAN, MINORCO, NMROTCHSCILD etc. se insinuaram no BNDES, compuseram o consórcio de avaliadores, montaram a seu jeito o modelo de venda e compraram o controle da Empresa, por um preço definido a seu talante 30 vezes menor do que sabiam que iriam ganhar. É por causa desses aspectos insuportáveis de ilegalidade e imoralidade administrativas que acho deva o Ministério Público Federal mergulhar no exame do que aconteceu a respeito no BNDES e na própria CVRD, oportunidade de averiguação que abri com minhas ações populares, pois a lei reguladora desse tipo de processo (4.717/1965), impõe ao MPF o dever de “acompanhar a ação”, “apressar a produção da prova e promover a responsabilidade civil ou criminal ” do ato impugnado e dos seus autores.,

      Publicado por Eloá dos Santos Cruz | 12 de abril de 2012, 8:49 pm
  24. Onde foi a merreca do dinheiro da Vale. Deram de presente um meio Brasil e sumiram com pouco troco desse crime. Serra e FHC deveriam ser enforcados em praça pública e ainda assim não seriam suficientemente punidos por esse crime.

    Publicado por Clademir Maruqes | 12 de abril de 2012, 10:46 am
  25. Como todos os companheiros se limitaram a manifestar suas opiniões, sem análise técnica da questão proposta pelo autor do texto, acredito ter o direito de fazer o mesmo.
    1º – Acredito que a questão da privatização da VALE deve ser revista, primeiramente, sob o prisma da Soberania Nacional. Esta empresa REPRESENTA a espinha dorsal da capitação dos recursos (oriundos de tributação e outras formas de encargo) com que a UNIÃO tapa os diversos buracos orçamentários (previdência, déficit fiscal, relativa diminuição da arrecadação…). A soberania de um país está diretamente ligada a sua capacidade de se manter longe do capital estrangeiro para financiar suas dívidas. Considerando o potencial de exploração desta empresa, a sua privatização significou um duro golpe na autonomia do Brasil.

    2º – Remeto à conjugação do verbo representar no tópico acima. Hoje a Vale é esse Titã, mas assim não o era. É sabido que as atividades da máquina burocrática Estatal não está adaptada ao exercício de atividades de exploração comercial, seja devido aos altos índices de corrupção, seja pela burocracia que se contrapõe à necessária mobilidade de que deve dispor uma empresa privada a fim de LUCRAR. A privatização fez bem pra VALE, e deveria ser assim. Caso se mantivesse o controle estatal ainda não teríamos nos dado conta do “potencial”. (Me lembro de quando eu era criança e os brinquedos dos amigos “sempre eram melhores, mais divertidos que os meus”. Sou totalmente contra políticas neoliberais (principalmente privatizações de setores ESSENCIAIS à economia), porém uma empresa como a VALE só alcançaria o amadurecimento através da privatização.

    3º – Disse que a privatização da VALE foi boa pra VALE. Mas entendamos o processo que culminou no êxito dessa empresa. Primeiro, durante as várias décadas de criação da VALE o Estado de atrelou à direção da VALE sem saber o que estava fazendo (falta de comunicação entre os órgãos de direção da empresa e o Governo, corrupção, fraudes, e…; disso extraio ter sido benéfica a privatização). PORÉM, houve todo um processo de enfraquecimento das estruturas da empresa nos anos que antecederam a privatização; ingerências políticas e a consequente má administração criaram o desejado estado “privatizável”. Ou seja, era esperada e AGUARDADA a privatização. No entanto, acredito que o ponto mais denso da análise desse processo é o seu RESULTADO: esse processo sempre foi idealizado para atender às necessidades estrangeiras (não não estou negado o mercado a que se volta o produto da empresa). O maior interesse na privatização nunca foi o da nação BRASIL, mas sim a expansão de um modelo NEOCOLONIALISTA que, desde Portugal, nos negamos a ver (não está acontecendo. não está acontecendo. … Repetimos está frase mentalmente; praticamos a NEGAÇÃO, e é assim que sempre “enfrentamos TODOS os problemas”).

    4º – Extensão do problema inserido no item anterior (3º), é o caso PETROBRAS. Voltando-me ao longínquo exemplo de Portugal e sua contribuição na construção do PACÍFICO COLONIZADO, creio que maior do que as consequências da privatização da VALE, serão as advindas da INTERNACIONALIZAÇÃO da PETROBRAS. Todas as “parcerias” (através das mais estranhas demonstrações de “ILICITAÇÕES” e de afronta direta à SOBERANIA NACIONAL prevista na Constituição Federal/88) da PETROBRAS para exploração (esse termo nunca foi tão apropriado como é para definir as relações do Brasil com os “companheiros” americanos, chineses, japoneses, ingleses, …) do PRÉ-SAL são INCONSTITUCIONAIS, IMORAIS, representam afronta direta ao UFANISMO de que nós brasileiros nunca dispomos. Me recuso a aceitar que, nos preocupando com um passado nem tão distante, nos deixemos cegar pela negação de um presente tão maculado como sempre sempre nosso passado, e continuará sendo nosso futuro.

    5º – O modelo adotado em ambos os processos (PRIVATIZAÇÃO DA VALE e INTERNACIONALIZAÇÃO DA PETROBRAS) é o do enfraquecimento do NACIONALISMO através do LOBBY norte-americano. Nosso políticos legalização todo tipo de espoliação, de quaisquer tipos de recursos, seja das nossas riquezas minerais, seja do nosso próprio povo, …nosso sangue. Conhecemos as consequências desse tipo de “política” e a negamos (somos muito bons nisso). Mas a pergunta que me faço é: até quando nos manteremos no polo passivo, submissos?

    Por fim, refletindo sobre as mais tortas linhas acima escritas (por mim; e não sobre a dos companheiros) vejo que talvez seja apenas o resultado de sentidos que me traem a abstração de aspectos não partilhados pelos demais companheiros.

    Abraços Fraternos!

    Publicado por Frank Marques da Silva | 12 de abril de 2012, 10:51 am
  26. Enfim, uma bela surpresa, ao ver um debate que VALE ouro !!!
    Espero que se aprofunde ainda mais, para que consigamos enxergar,
    toda a verdade que paira no fundo do poço, ou melhor, DAS MINAS.

    Publicado por Jose Thomaz de Mello Neto | 12 de abril de 2012, 11:19 am
  27. O que faremos?
    -Tomare – mo – la de assalto?
    Para quem faremos?

    Publicado por Eddy | 12 de abril de 2012, 11:42 am
  28. Lúcio, parabéns pela idéia do blog.
    Tentarei colaborar dentro do que me for possível.
    Mais uma vez:PARABÉNS!
    Um grande abraço do Tito Klautau.

    Publicado por Tito Klauatu | 12 de abril de 2012, 3:50 pm
  29. Não compreendo, no curto prazo, o debate sobre a privatização. Mas acho cabível discutirmos o porquê da VALE utilizar o termo sustentável nas suas campanhas publicitárias. Sustentável? Nunca! Essa propaganda enganosa fundamentadas apenas no aspecto econômico-financeiro ELEVA o preço das suas ações. Dessa forma, gostaria q a empresa realmente assumisse o papel de sustentável, promovesse o desenvolvimento com respeito principalmente as comunidades das suas áreas de influência. De outra forma, não compreendo alguns comentários que misturam o público com o privado, nestes termos: tudo de bom (privado); tudo de ruim (público). Vamos ser menos simplistas nos argumentos senhores, aqui não há espaço para discursos apaixonados, porque no mundo da informação, a paixão dura apenas alguns minutos.

    Publicado por Ricardo Santos | 15 de abril de 2012, 7:14 pm
  30. O Brasil estandartizou o know how do FMI.

    Publicado por Félix | 16 de abril de 2012, 3:40 pm
  31. A vale, hoje e uma grande mineradora, Mas não devemos esquecer, para onde foi o OURO que foi comprados dos garimpeiros de Serra Pelada, atraves da caixa economica federal e que ficou sobre responsabilidade da casa da moeda. Não sabemos se constava no inventario junto com o patrimonio e dado de presente aos consorciados.

    Publicado por Ivan Gomes Barboza | 20 de abril de 2012, 7:42 pm
    • A CVRD sempre foi uma GRANDE MINERADORA PRIVADA, pois assim a Constituição vigente em primeiro lugar (artigo 173, p. 1) e, em segundo lugar, a lei das sociedades anônimas considera as de economia mista. Agora, ninguém conhece sequer o destino do ouro da própria COMPANHIA VALE DO RIO DOCE – CVRD (recuso a antonomásia “Vale S/A”, porque foi alteração acintosa ao edital de alienação do controle acionário), cabendo levar em conta que em dezenas de acórdãos de reexame de ações populares (vide em http://www.trf1.jus.br, na janela inteiro teor, entre outros o Processo 199739000108178), a Desembargadora Federal SELENE MARIA DE ALMEIDA registra no relatório e reconhece no seu voto que, pelo critério “mine gate” de avaliação, foi atribuído valor ZERO (0) às reservas das jazidas nas minas, cuja entrada em operação ainda em 1997, somada ao fato de encerramento da dívida pelo “Projeto Carajás” e ao posterior aumento de preço do minério de ferro no mercado chinês, explicam os altos índices de lucratividade da Empresa depois de 06/05/1997. A compra da canadense INCO se deu em 2006, com parte dos lucros líquidos necessários a formar reservas para contingências sem prévio comunicado a qualquer órgão do Poder Judiciário, onde continua tramitando o contencioso popular capaz de obrigar os responsáveis e beneficiários da venda irregular do controle acionário da sociedade de economia mista a indenizar o Estado (leiam os artigos 11 e 17 da Lei da Ação Popular – 4717/1965 – e artigo 182 do Código Civil Brasileiro em vigor), por mais improvável possa parecer.

      Publicado por Eloá dos Santos Cruz | 25 de abril de 2012, 5:26 am

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