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A Vale é mesmo nossa?

No dia 6 de maio de 1997 o governo federal, chefiado pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso, vendeu o controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce. Criada em 1942 para explorar as jazidas de ferro de Minas Gerais, das maiores do mundo, a estatal se tornou a maior produtora desse minério, o mais utilizado pelo homem.

Um consórcio liderado pelo empresário Benjamin Steinbruch arrematou 42% das ações da estatal, por valor equivalente a 3,3 bilhões de dólares. No ano passado o lucro líquido da Vale, o maior da sua história, foi 10 vezes superior ao valor da sua privatização.

Decidi criar este blog por motivos como esse.

Para repensarmos a trajetória da antiga CVRD nesses 15 anos de sua atuação como empresa privada. Ela se consolidou como a segunda maior mineradora do mundo – e a mais diversificada. Dela depende meio milhão de pessoas em 32 países, espalhados pelos cinco continentes. É um universo único para uma empresa brasileira.

Brasileira mesmo?

A grande alavanca da Vale se formou em 2005. O preço do minério de ferro disparou para patamares nunca antes imaginados, como diria Camões (ou Lula). A Vale chegou a ser, durante certo tempo, maior do que a Petrobrás. É a maior empresa privada brasileira. Está entre as 20 maiores do mundo. De cada 10 dólares que entram no caixa do Banco Central, dois são resultado da sua atividade.

A mudança drástica se deveu ao consumo incrível da China. Os chineses absorvem um terço do minério do mundo. É para eles que vão 60% do ferro escoado pelo maior trem de carga do mundo, desde a província mineral de Carajás, no Pará, sem similar na Terra, até o porto da Ponta da Madeira, no Maranhão.

Em tese, mesmo privatizada, a Vale é uma empresa brasileira: 65% do seu capital votante pertencem a residentes no país; através de fundos estatais e do seu banco de desenvolvimento, o BNDES, o governo brasileiro tem 41% das ações ordinárias, que conferem decisões aos seus portadores.

Teoricamente, tudo bem.

De uma empresa especializada em distribuir dividendos, cada vez maiores, talvez seja mais interessante comprar ações preferenciais, que, como o nome diz, tem direito a preferência no recebimento de sua parte nos lucros. Estas ações são controladas por investidores privados – e estrangeiros.

Especializada na venda de commodities minerais, a Vale também está atrelada aos compradores, com ênfase especial na China. Atrelamento perigoso. Tanto mais quanto o grau de endividamento da empresa em moeda estrangeira constrange sua apregoada autonomia.

Venalidades e aviltamentos de valor à parte, o mais grave no processo da privatização da CVRD foi a falta de informações ao cidadão, que, como o povo durante a madrugada em que o Brasil dormiu imperial e amanheceu republicano, viu a tudo bestializado.

O governo não privatizou apenas uma estatal: ele entregou poder equivalente ao de um Estado a uma única empresa; entregou um país. O país Vale.

Presente em 16 Estados, ela controla os principais portos e ferrovias do Brasil, conectados ao mercado exterior, sobretudo com a Ásia. É dona de grande parte do subsolo, explorando várias jazidas e sentando sobre outras tantas. Seu poder é tal que ela influi sobre grande parte da imprensa, graças ao uso de propaganda, a rigor, desnecessária, mas vital para estabelecer elos e compromissos.

Por isso, sendo tão importante, é tão pouco conhecida.

Este blog se propõe a revelá-la para os brasileiros, para que eles sejam efetivamente seus donos, não apenas nominalmente. Só se domina o que se conhece. De fato, em profundidade, com substância.

A maior tarefa deste blog é abrigar informações. Ou contrainformações, conforme o caso.

Informações vindas de todos os lugares onde a Vale está presente, sem seguir seu roteiro nem ficar subordinado à grande imprensa, dependente dos fartos anúncios da companhia.

Qualquer pessoa pode participar dessa roda de conhecimentos. Basta que relate a atividade que a Vale desenvolve na sua área de interesse, o que não aparece na mídia, dados que são sonegados ao conhecimento público, fatos que estejam acontecendo, documentos produzidos, observações pertinentes, imagens, fotos, dicas, sugestões.

Pretendemos montar um painel revelador, denso e sólido, com informações vivas, originadas dos locais, de fontes primárias, que nos permitam acompanhar e influir sobre a atividade da Vale, da qual depende parte considerável dos destinos nacionais.

As contribuições podem seguir uma pauta inicial.

Por exemplo: a retomada do transporte de minério pela empresa, abandonado depois que a Docenave foi praticamente extinta (por qual motivo?); a duplicação de Carajás;a retomada da expansão da siderurgia em Tubarão. Temas não faltam.

Há até perspectivas originais, como a de Kleber Galvêas, que reproduzi na última edição do meu Jornal Pessoal. Ele serve de modelo para o que se pode fazer neste blog. O texto vem em seguida a esta abertura.

Proponho, por fim, um tema aos que quiserem entrar nesta roda.

O país se esforça por aumentar a taxa sobre a mineração: ou elevando a alíquota, que é baixa, ou ampliando a base de cálculo (que não inclui seguro, transporte e imposto, apenas o custo direto de produção do minério). Essas falhas impedem o Brasil de participar decentemente nos resultados da atividade mineral.

Minha proposta é para que se cobre participação nos lucros da empresa de mineração. O argumento que ela usa contra taxas mais elevadas ou de maior retorno, de que afetam a sua competitividade internacional, não pode ser aplicada à participação no lucro líquido.

Se o poder público tivesse direito a 10%, teria recebido no ano passado o equivalente a três bilhões de dólares. Não é mais interessante e justo?

Responda. E entre na dança. Espero sua contribuição, já.

Grande abraço,

Lúcio Flávio Pinto

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Discussão

26 comentários sobre “A Vale é mesmo nossa?

  1. Prezado Lúcio,
    Estamos juntos em mais esta jornada.
    Abs
    Miguel Oliveira

    Publicado por blogdoestado | 8 de abril de 2012, 7:13 pm
  2. Obrigado, Miguel. Espero que logo outros se apresentem. É uma questão vital. Abraço, Lúcio

    Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 8 de abril de 2012, 7:18 pm
    • Penso que o maior problema está no objetivo da exploração: O Brasil historicamente é um exportador de produtos “in natura”. Suas commodities sempre abasteceram os mercados mundiais gerando emprego e renda no exterior em detrimento do nosso desenvolvimento.
      No caso do minério de ferro não é diferente. Basta ver quem são os países maiores produtores de ferro do mundo e que não produz nenhum minério.
      O mesmo acontece com a soja e o café. Este último tem na Alemanha o maior faturamento mundial do produto, sendo que, pelo clima, não produz um único grão.
      Temos o caso do nióbio usado na fabricação de chips, onde o Brasil é, disparado, o maior produtor mundial. No entanto não uma única fábrica de chip no País.
      Se um dia tivermos “peito” para condicionar a exportação somente à países que venham montar aqui suas siderúrgicas e passar a exportar somente material processado, vamos continuar sendo uma país explorado pelas grandes potências, como sempre fomos desde o nosso descobrimento.
      Se na época Colonial foram os nosso ouros contrabandeado para a a Europa, hoje o mesmo acontece com o nossos minerais, nossa produção agrícola, nossa fauna e flora, nossas águas doces, nossos talentos em diversas áreas, como a ciência, a música e o esporte.
      Recomendo os livros do meu Professor de Mestrado Prof. Dr. José Walter Bautista Vidal da Universidade de Brasília: “Salve o Planeta” e Nação Soberana”. Vale a pena contactá-lo e pedir sua opinião a respeito. Ex-Ministro da Ciencia e Tecnologia no Governo Militar.

      Publicado por Jailson Everaldo Carneiro | 12 de abril de 2012, 10:33 am
  3. Carta aberta aponta caminhos para educação voltada para a cultura do Marajó

    Cerca de 300 pessoas participaram do II Encontro de Gestão Territorial: Um olhar marajoara sobre educação ribeirinha. (Foto: Semed/Portel)

    Elaboração de livros didáticos que valorizem a cultura marajoara; inclusão digital nas escolas do campo; e a construção de uma política de ensino superior para o Marajó são algumas das demandas do primeiro documento elaborado por marajoaras sobre as necessidades da educação ribeirinha.

    Cerca de 50 entidades locais se reuniram para construir a “Carta do Território da Cidadania do Marajó Sobre a Educação Ribeirinha”. O evento foi realizado no município de Portel, entre os dias 28 e 30 do mês de março, pelo Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Marajó (Codetem), Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó (Amam), em parceria com a Rede de Educação Cidadã (Recid) e Programa Viva Marajó, do Instituto Peabiru e Fundo Vale. “Foi uma iniciativa da sociedade marajoara na busca por cidadania. Mais do que isso, trata-se da valorização dos educadores do campo que lutam por dias melhores para nossa gente”, afirma Assunção Cacau Novaes, coordenador do núcleo diretivo do Codetem.

    O documento traz sete eixos de reflexão sobre a estrutura atual da educação na mesorregião do Marajó, além de apontar caminhos para a solução dos reais problemas enfrentados nas escolas ribeirinhas. A conclusão do documento destaca o principal desafio da educação no Marajó: “De todos os desafios existentes, o maior é, sem dúvida, encontrar uma nova filosofia de ensino e educação, desta vez, com olhar verdadeiramente marajoara”.

    Abaixo, você pode fazer o download da “Carta do Território da Cidadania do Marajó Sobre a Educação Ribeirinha”
    Carta do território da cidadania do marajó sobre a educação ribeirinha

    Publicado por blogdoestado | 9 de abril de 2012, 9:57 am
    • Esse não será mais um evento que a Vale está sustenta estratégicamente? O Fundo Vale financia o que exatamente nesse circuito CODETEM, Instituto Peabirú? Plano Marajó? Criação de reserva mundial da Bioesferal? criação do Estado do Pará com o território Marajó constituindo a maior parte? O Senado Federal tem em seu âmbito diversos novos desenhos de geografia do territorio brasileiro e o plesbicito não atendeu aos interesses de criação dos novos estados. Mas será que essa idéia se apagou? ou esta sendo reordenada p/ surgir numa outra conjuntura com novas configurações? Quem é quem e quais os verdadeiros interesses em jogo? O que significa criar a “Universidade Federal do Marajó? Quando aponta-se a criação de uma Política de Ensino Superior para o O território do Marajó, não está se propondo só a criação de uma Universidade, pois as universidades públicas estão no Território. Deve-se perguntar que papel estão exercendo? respondem a que demandas? que novas demandas de interesse local devem ser absorvidas? enfim, como o “enraizamento de cérebros” pode ser uma diretriz política que de fato contribua para alterar a histórica condição de exportadores de commodities. A pesquisa em Ciência e tecnologia deve ser implementada, sabendo que esse esse território tem hoje VALOR em nível planetário e que esse valor não é apenas dinheiro em espécie. Hoje a floresta em pé tem valor economico nos chamados “créditos de carbono”. O que é isso exatamente? Quem discute? onde? A população local ainda, permanece sem acesso à água, nem mesmo a água poluída do rio que corre em abundancia. Permanece em muitas comunidades, vivendo como no início da colonização. Ribeirinhos que apesar de ter uma antena parábolica são analfabetos, morrem de verminose e tem seus direitos básicos violados. Meninas são comercializadas e crescem num ambiente onde o corpo é alvo de cobiça ainda institiva, animalesca de “machos” condicionados pelo significado da “Lenda do Boto”. Essas e outras reflexões eu colocaria na pauta desse debate sobre Educação no Marajó e o olhar marajoara para a quetão da educação. As estratégias da Vale para se constituir como base idelógica e inluenciar No jogo, que por vezes gira nos bastidores dos poderes, se articulam de modo a projetar consensos, decisões. È importante trazer o debate com a pertinencia que ele requer. pois deve-se ter o cuidado de não estar sustentando decisões como foi a privatização da CVRD, da qual Lúcio Flávio trata com muita propriedade e que de modo ainda que preliminar e não central, eu toco, na minha dissertação de Mestrado ” A Modernização do porto de Belém: entre competitividade e cidania” defendida no âmbito do NAEA/UFPA

      Vamos conversar mais sobre isso?

      Publicado por Antonieta Santos | 23 de abril de 2012, 5:43 pm
  4. Parabéns Lúcio, por mais essa iniciativa tão importante para despertar o interesse e a consciência dos brasileiros e principalmentente dos paraenses.
    Sucesso pra você sempre em todos os seus projetos!
    Bjs,
    Edineide.

    Publicado por EDINEIDE COELHO | 9 de abril de 2012, 10:01 am
  5. Resolveram matar a galinha dos ovos de ouro… insistem em dizer que é porque não se sabia cuidar dela…. uma cambada de Manés que somos, não é mesmo? e continuando… qual empresa tem matéria prima a menos de 2% do seu produto de venda? royalties do minério, equivalente a 2% sobre o “lucro líquido” enquanto que o do petróleo é 10% do “faturamento bruto”. Macaé (1 cidade do RJ) recebeu R$ 1,1 bilhão em royalties do petróleo (2009) … enquanto que todos os municípios mineradores do país apuraram juntos R$ 1,08 bilhão em royalties do minério… é evidente que estão cavando adoidado, nos deixando um buracão… o buraco é nosso, aliás, no nosso.

    Publicado por Marcus Vinicius | 9 de abril de 2012, 10:29 am
  6. Estive em Canaã dos Carajás ano passado e tive a chance de ver como a CVRD (vulgo Vale) se relaciona com a população local, por exemplo a audiência realizada nas dependências da escola Futuro Educacional, que é ligada à Vale, foi marcada pelo número exagerado de policiais fazendo a segurança do evento. A audiência foi realizada porque a empresa estava propondo ou impondo, o inicio das obras de uma ferrovia que passaria muito proximo das terras dos agricultores locais, e mesmo com toda explicação técnica da Vale era evidente o transtorno que essa obra ia causar aos agricultores e a fauna da região, todos ficaram revoltados com a quantidade de policiais que estavam na audiência com o claro propósito de intimidar os habitantes locais. Na verdade a audiência era uma grande farsa, a opinião dos habitantes locais não mudará o andamento das obras!

    Obrigado Lúcio Flávio Pinto pelo espaço de debate!

    Publicado por Daniel Barros | 9 de abril de 2012, 1:05 pm
  7. Obrigado, Daniel, por sua preciosa participação. Se for possível, detalhe mais o conteúdo da audiência: quantidade de vagas da escola, o ensino que vai dar, etc; E a opinião dos participantes da audiência. Pode também falar sobre a passagem da ferrovia por Canaã e da atuação do governo local e do conselho comunitário. Um abraço, Lúcio

    Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 9 de abril de 2012, 4:26 pm
    • Trabalhei durante três meses no colégio futuro educacional, mas permaneci cinco meses no município de Canaã dos Carajás. Nesse tempo vi várias situações envolvendo a Vale e a população local, uma delas foi à audiência sobre a ferrovia que passará pelo município. Respondendo suas perguntas Lúcio, o conteúdo da audiência foi principalmente a tentativa da mineradora de explicar os impactos socioambientais decorrentes da construção da ferrovia, mas ao final do evento quase todos os participantes ( em torno de 100 pessoas) não entenderam os argumentos altamente técnico dos especialistas da empresa,por exemplo queriam saber se o trem da empresa ia ter vagões de passageiros, então os técnicos responderam que vagões de passageiros não estavam nos planos da empresa… O governo municipal recebe impostos e taxas da Vale e faz pouca ou nenhuma pressão para resolver ou evitar os abusos da Vale. Alguns vereadores até fazem alguma encenação de estar se importando com o povo, mas ao menor sinal da Vale eles silenciam (já fui a uma sessão dos vereadores). O conselho municipal é quase todo composto por comerciantes e pessoas que dependem de alguma forma da venda ou prestação de serviço à mineradora e suas terceirizadas (que são muitas). A mentalidade e o comércio local são altamente dependentes da Vale, não me lembro direito, mas acho que o trem da Vale vai para o Maranhão. Existem rumores muito fortes de que vai ser construído também um aeroporto internacional na cidade e que já foi até comprada uma grande fazenda na região para esse fim.
      Um dado curioso Lúcio, quando conversei com o dono do Grupo futuro educacional, o senhor Raimundo Junior, que administra a escola da Vale (que atende cerca de mil alunos, quase todos filhos de funcionários da mineradora, e os filhos dos fazendeiros e poderosos da cidade, já que a mensalidade é muito alta, mais ou menos mil reais!!!) antiga Itakira, ele me falou que eu poderia “ensinar sociologia com toda a liberdade, mas só não podia mostrar os textos do Lúcio Flávio Pinto” porque tu escreve textos “contra“ a Vale. Fui perseguido pela diretora da escola e pelo dono, porque dei a sugestão aos alunos de organizar os pais para reivindicar qualquer reclamação dos alunos, porque os coordenadores do ensino fundamental e médio não atendiam os alunos obedecendo a ordens do dono, para conter gastos como sempre…
      Obrigado Lúcio, fui à sua palestra na UFPA e gostei muito, até pedi um autógrafo no dossiê sobre a grilagem lembra? Abraços fraternos,
      Daniel Barros.

      Publicado por Daniel Barros | 12 de abril de 2012, 5:12 pm
  8. Caro Amigo Lucio Flávio, seria interessante pesquisar as manobras que a vale usa para liberar recursos da União para cumprir com compromissos que são dela nos diversos condicionantes nas areas da saude, educação e saneamento, isso é ela com seus consultores fazem de conta que estão investindo nos municipios mas na verdade está apenas dando uma consultoria e retirando dinheiro dos nossos impostos que ela contribui com tão pouco, visto o motante que ganha.

    Publicado por Virgílio Ribeiro Neto | 9 de abril de 2012, 9:04 pm
  9. Analises feitas no mercado futuro indicam uma surpreendente desvalorização das ações da Vale apesar da crescente demanda por minério, originada principalmente da CHINA, como já foi citado. Acontece que a Vale está numa lista ambiental (“Public Eye Awards”) que a apresenta como uma empresa suja, ou seja, explora o meio ambiente e não retorna principalmente às populações locais, quaisquer benefícios de longo prazo. Apesar da bolsa de valores a considerar, sem qualquer fundamentação real, como uma empresa socialmente responsável, sabemos que essa imagem vai cair, com certeza muito mais em razão das inciativas de pessoas como você, do que dos meios tradicionais de comunicação ou do interesse de governos que permanecem comprometidos com o lucro a qualquer custo. Pergunte a algum cidadão de Governador Valadares/MG sobre as principais ações da Vale naquela cidade. O link a seguir diz respeito a estudos com referência à compensação financeira sobre a exploração mineral, sendo que rapidamente percebe-se que o Brasil é o único país do mundo que tem por base o lucro líquido para o cálculo da referida compensação (como foi lembrado no Blog):

    http://bd.camara.gov.br/bd/bitstream/handle/bdcamara/1318/compensacao_exploracao_lima.pdf?sequence=1

    Por fim, sugiro que o Blog seja apresentado também no idioma inglês, para que possa transmitir aos cidadãos do mundo o que acontece neste Estado, em especial sobre as ações da Vale do Rio Doce.

    Um forte abraço e muito sucesso na empreitada.

    Publicado por Ricardo Santos | 9 de abril de 2012, 9:56 pm
  10. Obrigado, Ricardo. O inglês virá depois. Não temos condições ainda de fazer uma edição bilingue. Mas quem quiser dar essa colaboração, será recebido com fogos e vivas. Realmente assim podemos ampliar nosso alcance.
    O uso de consultorias – pela Vale e por quase todas as empresas – é um tema muito importante. Essas corporações dão barretadas com chapeu alheio. Ricardo: se tiver mais informações, passe-as. Se não, quem as tiver pode se manifestar. O pessoal de Governador Valadares, citado por ele, pode responder presente. Em português e inglês.

    Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 10 de abril de 2012, 10:11 am
  11. A vale esta costruindo um grande complexo proximo a cidade de Barao de cocais mg sao varias minas ela esta comprando o terreno da minha familia, esta desabrigando varias familhas ate semiterios ela esta relocando dizem que vai ser a maior mina do mundo vou tirar algumas fotos e mando para voce desculpe os erros meu teclado esta descomfigurado bom dia vamos lutar pelo que e nosso

    Publicado por Bruno | 11 de abril de 2012, 12:54 pm
  12. Você vê Lùcio, pediram para nós, FGTS, comprar acões, que o lucro ao longo prazo seria certo, mas, cadê?, se você não acompanha a bolsa, você não sabe se, esta dando lucro ou não, nós eramos maior que a petrobas e agora? pelo jeito mataram mesmo a minha galinha dos ovos de ouro, e o meu FGTS huumm!!! sei não. Abraços. Piva.

    Publicado por Edson Aparecido Piva | 11 de abril de 2012, 1:44 pm
  13. Lúcio!!!!
    Quando será que o povo vai se dar conta que tudo o que tiram da terra (minérios e petróleo) são do POVO onde esta a contra partida para todos os ESTADOS e MUNICÍPIOS. Temos que ter percentuais dos valores entregue diretamente aos Estados e Municípios, mas, com proteção de LEI que somente poderiam serem gastos na EDUCAÇÃO, SAÚDE e MEIO AMBIENTE. Não adianta repassar porque cai em um poço sem fundo, tem que ser repasse DIRETO, olha o que fazem com o Dinheiro do Petróleo, NADA, e dizem que está faltando, Ex. RIO.
    Daqui alguns anos só teremos um enorme Buraco e teremos que comprar minério de FERRO dos espertos que estão consumindo bem devagarinho o seu minério. Se este minério fosse usado no Brasil e igual quantidade vendida tudo bem, mas não, estaremos sem minério e sem nada na EDUCAÇÃO, SAÚDE e Meio Ambiente. Ai está tudo sucateado no BRASIL. Isto é uma Vergonha.

    Publicado por Renato | 11 de abril de 2012, 2:18 pm
  14. Sou profissional do ramo da mineração.
    Já atuei também em exploração petrolífera.
    Defendo um modelo de desenvolvimento e exploração de recursos naturais de maneira sustentável, em todos os níveis de atuação. Defendo porque no mundo moderno ninguém vive sem as tecnologias e facilidades que esse mesmo mundo oferece, e que tem na matéria prima mineral sua principal fonte de recursos.
    O assunto privatização da VALE é polêmico. Não se pode devolver ao antigo dono uma casa vendida só porque ela se valorizou, ou mesmo repassar uma soma em função dessa valorização. Mas é claro que esse processo se deu de forma tenebrosa… O problema não é a privatização em si, strictu sensu, mas com qual responsabilidade (ou irresponsabilidade, nesse caso) esse procedimento foi conduzido.
    É importante atentar para o retorno social da atividade. Mas por exemplo, no caso do petróleo, onde Macaé possui uma renda per capita de nível suíço, a cidade é carente de tudo não por causa da falta de pagamento de royalties, mas pela péssima administração e pela institucionalização da corrupção no setor público.
    Portanto, além de se cobrar uma participação privada maior, é preciso cobrar das autoridades públicas uma maior responsabilidade com o erário público. O resto é lobby ou conversa eleitoreira…
    É importante também corroborar as informações contidas nos blogs e sites sobre esses assuntos com documentação exposta online, de procedência comprovada e que inclusive pode ser acessada e acessível. Assim, o propósito de um grupo de pessoas se adorna de credibilidade e confiabilidade, uma vez que a internet, mesmo sendo uma poderosa ferramenta, também é uma fonte poderosa de informações desencontradas, achismos, especulações e outras formas duvidosas de informações.

    Publicado por Leonardo | 11 de abril de 2012, 4:20 pm
    • Olha Leonardo, quanto mais se usa a palavra sustentabilidade (como ideia carregada de positividade), mais ela me parece sem sentido, sem fundamentação, distanciada da realidade de um capitalismo de exageros financeiros surreais, acompanhado de lucros e atuações estatais ou privadas proporcionalmente surreais, injustas e cruéis. O caso da Vale é emblemático nesse contexto, pois demonstra em grande escala os efeitos perversos na concentração de riquezas e enfraquecimento dos direitos e benefícios sociais historicamente conquistados (ou a serem conquistados) quando da atuação de um Estado privatista. A última grande crise é um retrato do que estou dizendo.
      Não é possivel num cenário desses fazer comparações de “devolução” da Vale com a “devolução” de uma casa ao “antigo dono”. Portanto, o problema é sim a privatização em si, entre outros problemas, evidentemente. Culpar parte do setor público por ser corrupto cai na ingenuidade de absolver o corruptor, que está no setor privado, o que já foi tema de muitos artigos acadêmicos e midiáticos. A cobrança de responsabilidade e transparência, obviamente, deve ser feita sobre os agentes públicos, mas igualmente aos agentes privados, não?
      Além da cobrança, o sistema representativo que temos é pouco democrático porque não permite participação direta da sociedade em decisões relevantes para ela, logo, deveríamos exigir mais que responsabilidade desses agentes, deveríamos exigir poder de decisão direta, concorda?
      Mas estou totalmente de acordo com seu último páragrafo, só acho que essas referências de informações não são utilizadas devidamente nem nos meios mais tradicionais de mídia, como a televisão, as revistas e os jornais de grande circulação. Senti falta disso inclusive neste artigo do Lúcio Flávio, ainda que eu o ache digno de aplausos.

      Publicado por Thales | 17 de abril de 2012, 4:21 pm
  15. Poderiamos ser bem melhor se nossos dirigentes fossem patriotas.Nao so no caso da Vale como em outras transacoes de grande volume,o que menos temos e a participacao popular.Isto porque ainda nao existem BRASILEIROS.Acompanhei recentemente os valores de impostos e taxas pagas pela Vale,em relacao ao lucro obtido.Tudo nao passa de grande exploracao do solo que sai como materia prima e volta como manufaturados.Nossas riquezas estao se tornando cada vez mais artigos de luxo.Congratulo-me por sua ideia de se rever todas estas aberracoes.

    Publicado por Altamiro Forgaça | 11 de abril de 2012, 4:44 pm
  16. Podemos aproveitar as observações do Piva para pedir que se identifiquem os que compraram ações da Vale usando o FGTS. Quem ainda possui as ações? Quem as vendeu? O que ganhou? foi um bom negócio ou se arrependem? Como tem sido a participação dos acionistas, já nem digo minoritáros, mas microscópicos, nas assembleias da empresa? Quem pode apresentar a soma da distribuição de dividendos em todos esses anos de empresa privada e sua individualização?

    Publicado por Lúcio Flávio Pinto | 11 de abril de 2012, 5:41 pm
  17. Desculpe, não sou nenhum especialista no assunto e não quero dar com a língua nos dentes, mas vou correr o risco.

    Se pegar o momento histórico – 1997 – , o Brasil tinha dívidas e pouco dinheiro para se investir na sua própria economia. Vivíamos tempos de austeridades. Eu li comentários onde dizia “E falavam que nós não sabíamos cuidar”, e eu discordo. Não era uma questão de cuidar, mas vejo isso como um cara que ganha um salário mínimo ter um gol zero na garagem, que só com os custos e impostos, iria todo seu dinheiro para ter um veículo que muito raramente iria usufruir. O que entendo é que a Vale cresceu monstruosamente – como a maioria dos serviços que foram privatizados, e tiveram uma melhor qualidade de produto – graças ao Capital que neles foi aplicado. Capital que veio de fora também, algo que acredito ninguém conta. O valor foi abaixo do real, foi, só que será que havia empresas no Brasil ou grupos econômicos que tinha capital para competir com as internacionais? Também ouvi pessoas falarem: “Devia ter vendido para empresário brasileiros”. Veja bem, um pobre vender o carro que não pode sustentar para outro pobre a preço baixo, resolve algo? O carro continua parado na garagem. Sinceramente, não acho que o FHC errou nesse ponto, pelo contrário, ele alavancou nossa economia e isso é reflexo do capital investido por essas empresas, pois elas não vem apenas retirar dinheiro, como também aplicam. Eu nunca olhei mal a privatização, pois ele reduziu gastos ao estado, responsabilidades e ainda ajudou a tampar os buracos de nossos bolsos. O Brasil precisa de dinheiro? Precisa, mas com a péssima política e distribuição de renda, do que adianta?

    Sinceramente, se a CVRD fosse ainda um Estatal, seria só mais um lugar para políticos acumularem cargos e roubarem mais dinheiro – essa história de desviar é apenas um meio de deixar o feio parecendo bonito -, como fazem na Petrobrás. E outra, acho o povo brasileiro muito iludido, os políticos brigam por isso para benefício deles, enquanto a população continua na mesma pagando impostos abusivos. Pra mim, acho que não adianta ter um monte de estatal onde o dinheiro delas dificilmente irão para Saúde, Segurança e Educação. E sinceramente, esses assuntos não fazem parte da pauta de nenhum político brasileiro.

    Um dia eu ouvi a seguinte frase: “O Brasil é uma surpresa improvável”. Isso porque crescemos economicamente bem em uma país que ainda possui altos índices de baixa escolaridade, altos índices de violência e uma qualidade de vida muito baixa por parte de acesso a saúde. Eu não acho que isso deixe de ser verdade. Vejamos a Copa da Corrupção, onde pagam 500mil para colocar um relógio só para contar os dias que faltam, dinheiro que faria uma escola. Nossa política é péssima. Tem Deputados anos no cargo que nunca fizeram nada. Por isso acho que mais poder e dinheiro na mão deles não vai ser vantagem para nós.

    É só uma opinião.

    Atenciosamente,

    Michel Bocchi

    Publicado por Michel Bocchi | 11 de abril de 2012, 9:33 pm
  18. A pratica adotada pela Vale também deve ser questionada, quem trabalha na área sabe que o monopólio que ela vem exercendo esta inviabilizando o mercado para empresas menores. A Vale “controla” portos, vagões, cargueiros…

    Publicado por Marcelo | 12 de abril de 2012, 8:41 am
  19. Costumo dizer que a VALE NÃO VALE O QUE VALE!!! Porque foi tirada do povo brasileiro por uma manobra astuta de FHC. O povo brasileiro pagou para fazer a CVRD, e a vale apenas vende o minério brasileiro para o exterior, deixando nossas GUSEIRAS ir atrás de lateritas ferruginosas para equilibrar suas contas, pois o minério de ferro de alto teor e “in natura” da VALE vendido no mercado de MARABÁ, AÇAILÂNDIA, SANTA INÊS é o mesmo da exportação o que inviabiliza as dezenas de GUZEIRAS nacionais. Estão todas quebrando…E agora. A ferrovia Carajás -Porto de Itaqui é uma concessão da União, mais a obra foi privatizada junto com a CVRD, agora a VALE não transporta minérios de outras empresas. Ou estou mentindo. Não conheço a VALE por dentro, mais deve ser pior do que quando ela era do povo brasileiro.

    Publicado por GERALDO FABIO EVANGELISTA RABELO | 12 de abril de 2012, 6:16 pm
  20. Caro Lúcio,

    Como sempre um artigo lúcido e muito bem fundado. Parabéns pelo trabalho sério em defesa deste Brasil.
    Quanto à sua proposta de taxa da mineração, vale a luta, mas a esperança é pouco. Aqui o (des)governo se acostumou a taxar a classe média direto na fonte e não larga o osso. Concentra-se no pequeno e os grandes (e doadores de campanha) que se locupletem.
    Enquanto lá fora Warren Buffet defende taxação de grandes fortunas, aqui isso é tabu e os ricos são intocáveis e inimputáveis.

    Como dizem: Circo Brasil, onde você é o palhaço!!

    Publicado por Paulo Cezar | 17 de abril de 2012, 2:19 pm
  21. PENSAR A AMAZÔNIA? PARA QUÊ?

    Benedito Carvalho Filho

    O Dossiê (A Vale Engorda. O Pará emagrece – 15 anos de privatização), de Lúcio Flávio Pinto, deveria ser objeto de estudos e debates, pela relevância dos artigos que escreveste e pelos dados que forneces.

    Anoto rapidamente uma primeira impressão, no sentido de contribuir para esse necessário debate, fundamental para pensar a Amazônia contemporânea.

    O que parece estar acontecendo com a Vale do Rio Doce – e isso tu constata muito bem quando dizes que ela é uma das grandes empresas mundiais que joga alta na Bolsa de Nova York – é sua crescente financeirização.
    Se observarmos isso que se chama “mundialização do capital” veremos que só podemos entender sua lógica se entendermos a globalização como um processo pela qual o capital-dinheiro se apresenta de forma hegemônica. As antigas periferias capitalistas (como a Amazônia, por exemplo) fazem parte dessa divisão espacial do capital, ou seja, a forma financeira descolou-se da forma capital-produtivo, e a divisão mundial do trabalho é agora comandada pela oferta de capital-dinheiro, que escolhe as localizações espaciais do capital-produtivo.
    Pinço alguns pedaços do teu Dossiê onde tua te refere a isso:

    Apenas me deterei no que se tornou inquestionável: a universalização, com um sentido negativo e tenso tão caro a geopolítica aplicada na Amazônia. A Amazônia passou a fazer parte do mundo antes de se integrar ao próprio país, seguindo um curso inconstante e traumático na etapa da nacionalização, do que na internacionalização, que a precedeu.

    E afirmas mais adiante:

    Hoje, mais do que nunca, é impossível entender a Amazônia sem situá-la no contexto mundial. Tanto para manter a forma espoliativa de utilização de seus recursos (naturais e humanos) como para mudá-lo.

    Teu insigt quando observas o cenário de Xangai durante a Formula 1 é de uma sutileza fantástica. Aqueles prédios enormes de aço que emergiram no horizonte como pano de fundo fez com que observasses e fizesses relação com o minério levado da Amazônia hoje, e o ouro de Minas Gerais.

    A mesma associação poderia ser feita no começo do século passado ao observar os pneus das fábricas de carros nos Estados Unidos e na Europa na época do taylorismo-fordista e as condições de trabalho na selva amazônica. Essa contrafação brutal também se manifesta hoje no relato que fazes das condições de trabalho dos 12 a 15 mil trabalhadores nas minas de Carajás. Aliás, sempre foi na base da intensa exploração do trabalho que o capital se valorizou.

    Qual é o significado hoje da internacionalização da Amazônica? Como ela pode ser entendida?

    Tu dás algumas pistas quando citas o livro de um jornalista chamado Thomas Friedman, que apontou a principal característica da globalização: ter-se tornando plano. Não compreendi muito bem o que significa ter se tornado plano. Intuo que é um fenômeno da globalização.

    Lendo um trabalho do Chico de Oliveira, fruto de uma de suas palestras que ministrou em plena época de euforia da globalização ele dá algumas pistas para entender isso, quando afirma, por exemplo que o termo periferia foi utilizado por Prebisch e sua Cepal, quando descrevia e interpretava a divisão internacional do trabalho que se sustentava na assimetria entre produtores de manufaturados e produtores primários.
    Dizia que de qualquer modo, a “periferia” se sustentava numa capacidade tênue, mas ainda assim efetiva, de realizar políticas autônomas. Mas, o termo “periferia”, hoje, segundo ele, já não tem capacidade heurística para descrever e interpretar a mundialização, e é usado agora para designar uma imagem apenas ideal de uma economia-mundo –no dizer de Immanuel Wallerstein e Octávio Ianni6 – de círculos concêntricos, mas já não descreve a relação.Mastodontes como China, Índia, Brasil, Rússia, Indonésia, e México e África do Sul, em certa medida, ainda aparecem como economias sub-mundiais, mas a grande maioria comparece apenas como localizações aleatórias do capital mundializado, o que embaralha a divisão mundial do trabalho.

    A Microsoft, cita um exemplo, está em Costa Rica em sua única unidade fora dos USA: o pequeno país da América Central é uma periferia dentro do centro ou o centro dentro da periferia ? E porquê ele foi escolhido para sediar esse “objeto do desejo” de toda a periferia ? Não há nenhuma razão, ancorada na velha divisão internacional do trabalho, nem nas teorias locacionais de custos comparativos, nem de fontes de matérias primas.

    Na verdade, como ele nos mostra, que as antigas periferias, dentre elas a Amazônia, é apenas uma plataforma financeira e os países convertem-se em plataformas de exportações. O conceito de “periferia” supunha o Estado-Nação. A desterritorialização operada pela mundialização escandiu o Estado-Nação periférico. Resta o Estado e quase desaparece a Nação; onde esta persiste, é à força da predominância do Estado na velha junção dos termos: O movimento da taxa de lucro, parametrizado pelo capital-dinheiro mundial é seu principal determinante, para cima ou para baixo.

    Em outras palavras, a intensidade da taxa de exploração chinesa é a condição para a atração do capital-produtivomundial, e a forma especial do Estado altamente centralizador é uma espécie de Estado-caserna, extremamente funcional para a acumulação de capital.

    Não é à toa, como constatas no Dossiê, que os jagadores da WallStreet já tem dois terços das ações preferenciais, que representam 40% do capital global da Vale (…) que quer dividentos e mais dividendos, negócios e mais negócios, lucros e lucros, como é a lógica inexorável do capitalismo, e desse capitalismo da cassino.

    Como dizes:

    Não importa se montanhas de commodities continuarão a ser sugadas do Pará no rumo de uma China insaciável, deixando buracos no ponto de origem, isso é detalhe, ou circunstâncias. .

    Um projeto nacional torna-se, assim, uma quimera. Em seu lugar, como paradoxo do neoliberalismo e da mundialização, viabilizam-se apenas políticas de Estado.Vestidas de retóricas “nacionais”, mas cujos objetivos são, em primeiro, segundo, terceiro lugares, a reificação do Estado como instância de cálculo da reprodução do capital interno e sua relação com o capital mundializado.

    Concordo contigo quando afirmas que não se pode pensar a Amazônia fora desse processo de mundialização, nem acho que seu destino é voltar-se para dentro. As elites dominantes desse país estão profundamente identificadas com a lógica desse capital financeiro e dificilmente permitirão que se trace outros caminhos alternativos. O Pará, como os políticos que tem, sem perspectiva histórica e sem senso de oportunidade, são incapazes de pensar num projeto a longo prazo para a Amazônia. Na verdade, estão interessadas em tirar vantagem dessa situação, como bem mostraste no último Jornal Pessoal quando fizeste uma análise do perfil das lideranças políticas do Pará. Uma classe política dessa estirpe, um judiciário como o que temos e uma sociedade sem consciência política, analfabeta e venal, talvez mereça os dirigentes que tem. Enquanto isso o nosso minério zarpa para a China, que agradece. Vivemos nos tempos na jogatina, com “Cachoeiras” de vários tipos. Pensar a Amazônia? Para que isso?

    Publicado por Benedito Carvalho Filho | 31 de maio de 2012, 6:15 pm
  22. Excelente Blog, de fato lúcio só se domina o que se conhece. Sempre ouvi falar da vale, passava pelo aeroporto e via grandes painéis com imagens da vale sempre achei que era uma empresa que ajudava o Brasil a crescer mas não conhecia seus projetos, até que minha professora de logística de transportes pediu pra fazer uma pesquisa sobre os modais de transportes. Escolhi falar sobre os portos e estudar o complexo portuário em são luís do maranhão onde a vale tem um terminal privativo de ponta da madeira, lá é realizado o carregamento do maior navio graneleiro do mundo com capacidade de 400.000 toneladas de minério por vez. Fiquei maravilhado e orgulhoso do brasil ter terminais portuários para abastecer navios de grande porte, com certeza dessa forma as exportações do minério poderiam ajudar o brasil.

    Após conheci a estrada de ferro carajás, pensei que esta estrada contribuía para o desenvolvimento da região, sabia que passava uma linha de passageiros ao dia , mas na verdade o que esta linha fazia era a conexão com a maior jazida de minério do mundo com o terminal de ponta da madeira para escoamento da produção. Não somente isso todo o investimento em logística é feito em torno desta conexão. Investe-se nas minas e usinas para aumento da produção, na duplicação da estrada de ferro para o deslocamento do minério até o porto, e investe-se também no porto para que mais navios possam ser atracados.

    Pensei não é possível que isto esteja acontecendo a vale explorando o minério brasileiro com uma atividade que já causa grande impacto ambiental chegando a ter um lucro líquido de 30 bilhões em 1 ano e só investe em na sua própria logística de escoamento do minério. Somente com metade destes trinta bilhões já ajudaria muito o brasil.

    “Somos uma das principais mineradoras do mundo transformando recursos minerais em prosperidade” a questão é prosperidade pra quem?

    Publicado por Ralf Miguel | 31 de maio de 2013, 10:56 am

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